ENEM 2017 - Desafios para a formação educacional de surdos no Brasil
Enviada em 09/11/2017
A comunidade de surdos, no Brasil, cada vez mais está diminuindo suas matrículas nas escolas básicas.Entorno de cinco anos, milhares se evadiram do ensino escolar. O Brasil, apesar de ser um país plural, não conseguiu ainda integrar de maneira digna e eficaz os alunos surdos na formação educacional. Isso reflete os desafios que precisam ser superados, como: a falta de profissionais qualificados e de ambientes propícios, além de uma mentalidade utilitária que define o valor humano de acordo com a sua finalidade.
O primeiro desafio começa no ensino base, diante das dificuldade que os surdos enfrentam por não terem acesso a uma educação eficaz. Isso porque a escola não tem profissionais qualificados, não tem intérpretes - fundamental para a interação comunicativa - , nem ambientes e materiais propícios para a formação. Essa realidade conforma uma mentalidade, tanto na sociedade quanto na comunidade surda, de que a educação é um luxo. Contrariamente a esse preconceito, Platão, em sua obra “República”, afirma que a educação é fundamental para a dignidade humana, pois a partir dela é “eduzido” um senso humanitário do bem, do belo e do justo, elementos valiosos para a construção da cidadania.
A causa desse preconceito que começa já nas bases educacionais está fundamentada num pensamento utilitário. O filósofo Stuart Mill afirmava que o valor humano está na finalidade que ele tem para a sociedade, o que direciona a um preconceito sobre a utilidade que o indivíduo tem para o todo. No entanto, Kant dizia que o ser humano tem um fim em si mesmo e que a sua existência é a sua dignidade. Dessa forma, é fundamental que a sociedade reposicione o seu ponto de vista, para que haja uma relação mais humanitária na integração dessa comunidade à cidadania.
Como foi exposto, o Brasil não conseguiu integrar a comunidade surda no ensino de forma eficaz. Isso devido a entraves desafiadores como a falta de profissionais qualificados e de materiais, além de uma mentalidade utilitária que permeia a sociedade. Dessa maneira, é preciso que o MEC qualifique os profissionais através de cursos de intérpretes, além de ofertar uma bonificação salarial para os professores que fizessem esse tipo de especialização, assim haveria um corpo de profissionais qualificados. Além disso, a comunidade escolar, por meio de aulas de filosofia e de sociologia, deve promover nas salas de aula a reflexão para despertar a empatia sobre o valor humano de uma forma mais justa. Além disso, o governo deve ofertar materiais próprios, como livros específicos, ambientes adaptados ao uso dessas pessoas, para que possam se integrar de forma digna. Com isso, o Brasil promoverá uma educação inclusiva, baseada numa visão mais justa sobre o ser humano.