ENEM 2017 - Desafios para a formação educacional de surdos no Brasil

Enviada em 09/11/2017

A base da comunicação é a linguagem, uma vez que ela permite o entendimento e a aproximação das massas. No entanto, para os deficientes auditivos no Brasil, ela se tornou sinônimo de exclusão social. Embora a Língua Brasileira de Sinais seja reconhecida como segunda língua oficial, a formação educacional dos surdos ainda é um desafio para o país.

De acordo fontes do Inep, de 2012 a 2016 houve um decréscimo significativo nas matrículas de surdos na educação básica, tanto em classes comuns, quanto nas especiais. Tal problemática nos leva a refletir que o Artigo 28 da Constituição, o qual pressupõe direito à educação da pessoa com deficiência, não está sendo efetivo em sua totalidade. Incluir o surdo no sistema educacional não é apenas colocá-lo em uma sala de aula, mas assegurar de que ele tenha os seus direitos atendidos. De que adianta o dia do surdo no calendário nacional de um país “democrático”, se na prática o protagonista do dia não tem voz e nem vez?

Clarice Lispector em “Declaração de amor”, confessa e declama o seu amor pela língua portuguesa. Ler esse texto, de tamanha sabedoria, ratifica a importância da linguagem na “descoberta do mundo”. Nesse sentido, a Libras precisa uma maior difusão, sendo incluída como disciplina obrigatória em todos os cursos universitários, bem como uma maior visibilidade e valorização na educação básica, a fim de formar cidadãos surdos conscientes do seu valor e preparados para o mercado de trabalho.

Faz-se necessário, portanto, que os órgãos responsáveis, juntamente com o sistema midiático, promovam políticas públicas de inclusão social e educacional dos surdos no Brasil, como também que o Governo invista nos profissionais da educação básica, a fim de que sejam capacitados à formá-los e, dessa forma, o país conclua e supere esse desafio.