ENEM 2017 - Desafios para a formação educacional de surdos no Brasil

Enviada em 08/11/2017

Clareza. Igualdade. Empatia. A responsabilidade social imposta ao ensino desde os primórdios populacionais, na fundação das primeiras universidades, se contrapõem aos preceitos da variação linguística, inserindo uma rotina educacional limitada e paulatinamente carente de medidas acolhedoras ao público deficiente auditivo. Desta forma, a população surda é inserida em rotinas paradoxais compostas por barreiras discriminatórias por uma educação igualitária. Portanto, torna-se evidente a necessidade de reformas em prol do ensino inclusivo e padronizado à toda sociedade.

Primeiramente, deve-se amentar que embora haja leis amparadoras à educação de deficientes, existem impasses que atenuam a execução legislativa de forma prática. Destarte, a precariedade de repasses governamentais torna-se um paradigma gerador de desestabilidade escolar, bem como a escassez de qualificação profissional e métodos inclusivos. Ademais, embora retratado de forma exemplar por meio de personagem das tirinhas de Maurício de Souza, em “Turma da Mônica”, a realidade do dia a dia social da classe em questão torna-se constantemente oculta, perpetuando tais problemáticas perante uma sociedade leiga e, consequentemente, inerte sobre tal perspectiva.

Outrossim, deve-se analisar os fatos supracitados também pela ótica de quem vivencia as consequências geradas pelo descaso. A constante dificuldade em suprir escolas e universidades de forma hospitaleira traz à tona os impactos sociais e acadêmicos causados a quem depende destes serviços.

Portanto, torna-se notória a falha na globalização não somente de códigos linguísticos como, por conseguinte, cultural e profissional, uma vez que a limitação escolar gera consequências vitalícias. Infere-se, portanto, que cabe ao Poder    Legislativo a execução de leis a fim de definir subsídios mínimos a serem oferecidos à educação inclusiva, sendo elaboradas por meio de pesquisas de demanda e mantendo investimentos suficientes para promover ensino igualitário em todas as escolas. Em paralelo, cabe à mídia promover a elucidação e divulgação da Linguagem Brasileira de Sinais (LIBRAS), utilizando padrões lúdicos de ficções engajadas, a fim de voltar as atenções sociais para a problemática em questão. Somente destas formas a empatia da população brasileira será sobreposta ao egocentrismo do século XXI.