ENEM 2017 - Desafios para a formação educacional de surdos no Brasil

Enviada em 08/11/2017

A realização dos jogos paralímpicos no Brasil, chamou atenção por levantar o debate da inclusão de pessoas com deficiência. Apesar disso, pouco foi falado a respeito da formação educacional de deficientes auditivos. Essa parcela da sociedade sofre com a dificuldade de acesso ao ensino, realizando um processo de evasão escolar, e, por consequência, acaba sendo desvalorizada nos âmbitos profissionais e sociais.

Segundo dados do Instituto Nacional de Educação (Inep), o número de surdos matriculados na educação básica do país caiu em média 30% nos últimos 4 anos. Esse valor se deve a dificuldade de acesso a escolas bilíngues, muitas vezes, localizadas apenas nas regiões metropolitanas, dificultando o transporte de estudantes de baixa renda. Além disso, a falta de fiscalização do cumprimento dos Direitos da Educação, principalmente nas cidades pequenas, colabora com a falta de classes inclusivas e de interpretes de Língua de Sinais Brasileira.

Como consequência, as empresas possuem uma baixa preparação para receberem profissionais surdos. Apesar das Libras serem a segunda língua oficial do país desde 2002, essa capacitação é pouco valorizada no currículo de candidatos não deficientes, dificultando a entrada de funcionários surdos no quadro social da empresa. Dessa forma, o preconceito é propagado e os deficientes auditivos são desestimulados a buscarem uma formação educacional.

Mediante isso, medidas são necessárias para resolver o impasse. É fundamental que o MEC (Ministério da Educação) crie cursos de interprete de Libras em escolas de ensino médio e técnico, colaborando com a inclusão social e educacional de pessoas surdas. Além disso, o governo deve fiscalizar o cumprimento dos Direitos da Educação, por meio de secretarias municipais, para garantir a existência de escolas inclusivas em todas as cidades do Brasil. Por fim, seria interessante que as empresas privadas valorizassem os profissionais com formação em Libras, através de gratificações, com o objetivo de incluir deficientes auditivos no mercado de trabalho.