ENEM 2017 - Desafios para a formação educacional de surdos no Brasil
Enviada em 08/11/2017
Em Esparta, durante a Antiguidade, as crianças que nasciam com algum tipo de deficiência eram sacrificadas por não seguirem o padrão físico militar da sociedade espartana. Na atualidade, entretanto, é inegável que os deficientes podem viver normalmente. Todavia, no caso específico dos surdos brasileiros, ainda existem barreiras que dificultam a total integração desse setor à sociedade. No que tange a educação, os jovens com redução auditiva ainda sofrem com a dificuldade na comunicação, além da presença do insistente juízo preconceituoso de muitos.
Primeiramente, o primeiro empecilho encontrado pelos surdos em ambiente escolar é a impossibilidade de conversação com os colegas, pois é muito difícil encontrar pessoas que saibam se comunicar através da Libras. Isso é, de certa forma, inaceitável, porque mesmo que grande parcela da população não saiba, essa língua é um dos idiomas oficiais do Brasil, como determinou a lei número 10436, sancionada em 2002. Portanto, é necessário que o governo tome iniciativas em relação a essa desconfortável situação.
Em adição, a sociedade brasileira ainda é muito preconceituosa com aqueles que fogem aos padrões preestabelecidos, como é o caso da surdez. No conto Amor, de Clarice Lispector, a protagonista muda totalmente sua atitude após avistar um deficiente. Isso, porém, não ocorre somente no mundo da ficção. Fora dos livros, muitos se comportam como a personagem daquela obra. Nas escolas brasileiras, por exemplo, essa mudança de comportamento é perceptível: os infantes, muitas vezes, evitam interagir com o diferente e o deixa isolado. Essa solidão em ambiente escolar é um dos fatores que contribuíram para o declínio do número de matrículas de surdos em instituições de ensino, como foi indicado pelo Inep.
Em suma, fica evidente que algo precisa mudar em relação a esse frágil grupo da sociedade brasileira. Em primeiro plano, o MEC deve instituir o curso de Libras na grade curricular obrigatória de todos os níveis de ensino, ou seja, desde o ensino infantil até o superior. Com essa atitude, a comunicação dos deficientes para com o resto de sua classe ser a facilitada. Por conseguinte, a formação educacional dessas pessoas ocorrerá de forma mais agradável e fluida. Ademais, o governo, em parceria com ONGs, deve investir na publicação de campanhas educativas em redes sociais e espaços públicos movimentados, como o metrô, as quais devem contar relatos de surdos bem sucedidos, na tentativa de conscientizar a população sobre a não necessidade do preconceito contra esse grupo. Com essas atitudes, a população surda poderá ser educada de forma mais digna, conforme prevê a Constituição.