ENEM 2017 - Desafios para a formação educacional de surdos no Brasil
Enviada em 08/11/2017
Babel hipermoderna
No conto “Amor” da escritora Clarice Lispector, a narradora, ao observar um surdo, é tomada por um sentimento de curiosidade e compaixão, a partir disso reflete sobre a condição do rapaz. Tal fato, no entanto é uma exceção, de modo que o Brasil, ao longo da sua história, ignora, isola e incompreende os surdos.
Na antiguidade houve a tentativa da construção da Torre de Babel, contudo tal obra não foi finalizada em razão à incompreensão linguística dos operários, de modo que nem todos falavam a mesma língua. Milhares de anos depois, Babel continua existindo de maneira simbólica entre os surdos e o restante da sociedade que não expressa-se em Libras. Embora os professores, em sua formação acadêmica, possuam uma carga horária obrigatória de Libras, poucos são capazes de se expressar e compreender com clareza, evidenciando o despreparo da comunidade educativa, dificultando o processo de inclusão social.
A pouca representatividade dos surdos, seja na ficção, como em novelas, filme e na literatura; seja na realidade, como no mercado de trabalho e nas instituições de ensino, intensifica o “apartehid” simbólico dessa minoria social. No âmbito escolar, o ensino de Libras deve ser implementado desde as séries iniciais, através de histórias que protagonizem surdos e fomente a importância da comunicação para a sociedade e para o indivíduo, pois a capacidade de se comunicar caracteriza o ser humano como um ser sociavel.
Diante do fato de a sociedade não estar preparada para a comunicação com os surdos, é indubitável a necessidade da obrigatoriedade do ensino de Libras nas escolas públicas e privadas, por meio de um decreto judicial, a fim de formar uma sociedade capacitada para a comunicação em Libras. Deve-se também, ampliar a política de inclusão nas escolas e mercado de trabalho através de cotas para essa minoria, para que assim a comunicação desfaça a metáfora de Babel no Brasil contemporâneo.