ENEM 2017 - Desafios para a formação educacional de surdos no Brasil

Enviada em 08/11/2017

Na Antiguidade Ocidental, a segregação de portadores de necessidades especiais era recorrente, e contribuiu para a formação da sociedade. Grandes Impérios, como o Grego, adotavam políticas de exclusão desse grupo, os matando ou os escondendo. Embora esse cenário date de séculos atrás, a inclusão e o respeito para com esses indivíduos ainda não é uma realidade brasileira, em especial no que tange à educação de surdos. Nesse contexto excludente, faz-se imperativo discutir acerca dos desafios para promover o processo pedagógico inclusivo no país.

A princípio, vale pontuar que o preconceito atua como barreira para a integração de pessoas com problemas auditivos. O ambiente escolar, marcado pelo crescimento da violência, como apontou o censo do IBGE, concentra elevados níveis de intolerante contra quem é “diferente”. Assim, os surdos são constantemente alvos de ofensas e agressões, seja pelos apelidos preconceituosos, seja pela violência física. Desse modo, é notório que a histórica cultura excludente impede a efetiva participação inclusiva nas escolas, já que, a hostilidade escolar desestimula o aluno surdo, o qual sente-se excluído e incompreendido.

Ademais, convém ressaltar que a exclusão de deficiente vai de encontro as metas da Organização das Nações Unidas (ONU). A ONU estabeleceu a educação universal como meta para o milênio. No entanto, o despreparo dos profissionais escolares e das escolas confrontam com tal previsão, já que, apenas em 2002 a linguagem de sinais passou a ser oficial no Brasil. Dessa maneira, durante anos, os alunos que não conseguiam ouvir perdiam explicações de matérias fornecidas por professores, o que impediu, e ainda impede, o progresso intelectual. Para o sociólogo Émile Durkheim, os valores éticos e morais são criados na infância, isto é, na fase escolar. Sob essa perspectiva, nota-se o prejuízo no desenvolvimento socioeducacional dos surdos no país.

Logo, é incontrovertível que os impasses para a efetivação da educação inclusiva de surdos sejam superados, visando assegurar um eficiente ensino a todos e cumprir com o estimulado pela ONU. Para isso, os preconceitos herdados devem ser erradicados, por meio de uma educação tolerante, implementada em território nacional, desenvolvida pelo Ministério da Educação, na qual atividades lúdicas e coletivas devem ensinar valores éticos, como o respeito às diferenças, ministradas por professores que receberão cursos capacitantes de libras, com uso da verba arrecadada pelo Governo Federal. Assim, o despreparo dos profissionais escolares será extinto, assim como o preconceito cultural, pois, como afirmou Hellen Keller, a educação é a ferramente mais poderosa para promover a inclusão e acabar com a  intolerância.