ENEM 2017 - Desafios para a formação educacional de surdos no Brasil
Enviada em 08/11/2017
A constituição de 1988 representou um avanço na consolidação dos direitos fundamentais dos cidadãos, na qual a dignidade do ser humano é norteadora da legislação. Entretanto, diante do atual cenário de exclusão educacional de grande parte dos indivíduos com deficiências auditivas no Brasil, o debate sobre a efetivação real da lei ganha destaque, evidenciando barreiras políticas e sociais.
Em primeira análise, é válido destacar a atual negligência estatal na promoção da equidade dos surdos no país.Nesse sentido, a ausência de políticas públicas eficazes e o apoio as escolas pelo governo para a difusão do ensino entre esse segmento social, revela o cenário paradoxal de um país baseado no Princípio da Igualdade, mas que gera exclusão. Dessa forma, reafirmando a teoria de Pierre Bourdie, o Estado institucionaliza, mesmo que veladamente, uma violência simbólica contra os surdos no país, omitindo seu papel de promoção da cidadania. Tal fato de exemplifica na limitada quantidade de professores nas escolas públicas que dominam a linguagem de sinais.
Além disso, a própria sociedade contrubuí para a segregação dos portadores de transtornos auditivos. Isso decorre da construção histórica de sensos comuns que associam deficiências à incapacidade, física ou intelectual. Assim, a inércia da população frente ao descaso com os surdos, muitas vezes disfarçada pelo discurso de zelo e preocupação com os mesmos frente aos possíveis preconceitos e dificuldades, expressa o enraizamento de estigmas. Com isso, o coletivo torna-se um agente de coerção, segundo Émile Durkheim, impede a consolidação da isonomia.
Fica claro, portanto, que a questão da educação dos surdos no Brasil é emergencial e enfrenta causas governamentais e coletivas. Uma ação da Escola, visando o estímulo à práticas igualitárias e democráticas, através da criação de microcosmos que simulem situações cotidianas de exclusão aos surdos, com apoio de psicólogos, objetivando o desenvolvimento de práticas de abolição de estigmas entre os futuros cidadãos, é fundamental. Ademais, o Ministério da Educação deve investir na contratação de professores e pedagógos que dominem a linguagem de sinais para as escolas públicas .Assim, será possível reafirmar os direitos dos surdos no país e consolidar a legislação.