ENEM 2017 - Desafios para a formação educacional de surdos no Brasil

Enviada em 08/11/2017

Nas sociedades primitivas e na Idade Média, os grupos portadores de alguma deficiência física eram subjulgados e marginalizados pelo restante da sociedade. Diferentemente do passado, hoje diversos direitos inclusivos são garantidos para essa parcela da população brasileira. Contudo, embora existam mecanismos constitucionais que assegurem a integração e o tratamento com equidade, a realidade atual desse grupo ainda é marcada pelo descaso governamental e pela escassez de recursos financeiros que incentivem o trabalho de ONG’s e fundações especializadas.

É relevante abordar, primeiramente, que a educação para a comunidade surda é uma realidade ascendente no Brasil. A regularização da Língua Brasileira de Sinais (LIBRAS) como disciplina obrigatória nos cursos de licenciatura, por exemplo, será capaz de capacitar os professores dos ensinos infantil ao superior a lecionar para deficientes auditivos. Nesse ínterim, as escolas das redes pública e privada devem ser adaptadas para que torne-se possível receber estudantes com exigências motoras ou cognitivas de maneira eficiente. Nesse aspecto, encontram-se os impasses econômicos, que dificultam a articulação de uma infraestrutura de qualidade com as medidas socioeducativas, responsáveis pela socialização e desenvolvimento cognitivo desses indivíduos.

Em uma segunda análise, é válido ressaltar que o esporte é um importante agente de adesão de minorias à sociedade. Os núcleos poliesportivos que oferecem gratuitamente diversas modalidades esportivas devem adaptar-se, de modo que todos os indivíduos, portadores ou não de deficiência auditiva compartilhem das mesmas atividades e possam criar vínculos de afinidade essenciais para a formação de um sentimento de pertencimento e inclusão.

É possível inferir, portanto, que apesar da existência de uma constituição que assegure os direitos da população deficiente, ainda existem impasses para a concretização efetiva do processo inclusivo. Deste modo, faz-se necessário que o Governo Federal forneça verbas complementares para o Ministério da Saúde, na finalidade de melhorar o atendimento público aos deficientes sonoros, bem como o financiamento acessível das minorias de aparelhos auditivos auxiliares de qualidade. Ademais, ONG’s e instituições privadas devem assegurar que jovens com surdez participem de atividades esportivas ou culturais. Para isso, a mídia deve criar campanhas que motivem os deficientes sonoros a ter uma vida ativa e em comunidade. Outras medidas são necessárias, mas como disse Oscar Wilde: “O primeiro passo é o mais importante para a evolução de uma nação”.