ENEM 2017 - Desafios para a formação educacional de surdos no Brasil
Enviada em 08/11/2017
Ainda que vivamos em uma sociedade considerada moderna e globalizada, os retrocessos causados pela exclusão de minorias, acompanhada da escassez de uma educação de boa qualidade para as mesmas, fazem parte dos desafios que são encarados diariamente. O problema agrava-se ainda mais ao se tratar de deficientes auditivos, que são afetados durante todo o processo de socialização desde a infância, acarretando à inúmeras faltas de oportunidades consequentes de preconceitos e de uma visão arcaica, sendo considerados como uma parte “nula” da sociedade por serem diferentes.
Existem diversos fatores que servem como mola propulsora para o aumento da exclusão desses deficientes diante à sociedade e dentre estes, destaca-se a ausência de escolas especializadas que sejam capazes de atender das necessidades básicas até as mais complexas, na qual todo cidadão tem o direito de receber. A falta de materiais e projetos didáticos nas instituições sociais de ensino que apresentem à todos os alunos a linguagem de sinais e os direcionem à uma comunicação adequada também é um dos motivos que atrasam uma inclusão que seja, de fato, abrangente nos âmbitos educacionais. Dito isso, fica evidente o que o filósofo Immanuel Kant deixou claro ao dizer que “O ser humano é aquilo que a educação faz dele.”
Ademais, como consequência dos ausentes projetos educacionais, o problema se estende ao mercado de trabalho, visto que as empresas enraízam-se na concepção social de contratar e gerar oportunidades de empregos apenas à candidatos que não são acometidos por nenhum tipo de deficiência auditiva, propagando assim o discurso de que essas pessoas não são qualificadas ou capazes de cumprirem suas jornadas de trabalho ou de se engradecerem diante suas respectivas especializações.
Em síntese, é necessário que o Estado intervenha nas políticas educacionais e efetive leis que estabeleçam um ensino de qualidade e inclusivo para todos os deficientes auditivos, assim como a implantação de acompanhamentos psicológicos com debates sociais nas escolas, e leis trabalhistas onde as empresas estejam dispostas a executarem a contratação dessas pessoas, com o intuito de difundir a ideia de que somos todos iguais e que as instituições devem-se atentar às necessidades de todos, sem quaisquer tipos de exclusão.