ENEM 2017 - Desafios para a formação educacional de surdos no Brasil
Enviada em 07/11/2017
Nesse ano, após uma remodelagem na dinâmica de aplicação do Enem - Exame Nacional do Ensino Médio -, uma mudança positiva se deu aos participantes surdos: as questões serão apresentadas em vídeo por intérpretes de Libras. Essa ação, aplicada quase uma década da primeira edição do concurso, evidencia a problemática da inclusão vivenciada por pessoas surdas nas rotinas educacionais brasileiras, fruto de séculos de marginalização e desinteresse da sociedade na sua inclusão e supressão de sua língua.
Inicialmente, a invisibilização crônica de surdos pôde ser observada desde a Grécia antiga, em que espartanos eliminavam crianças com a menor inadequação mental ou física que as incapacitassem de servir ao exército. Da mesma maneira, milhares de pais de crianças surdas no Brasil se vêem sem opções de escolas capacitadas a suprir as demandas escolares de seus filhos. Tais fatos corroboram com exclusão de crianças surdas, e consequentemente, em sua futura expressão social e política, essenciais para uma sociedade salutar e igualitária.
Nesse mesmo viés, o escritor George Orwell aponta em suas obras a importância da linguagem, palavras e comunicação como um poder político. Assim, a instauração da língua brasileira de sinais como segundo idioma brasileiro tornou-se um marco nacional da valorização da pessoa surda como cidadã e dando-a ferramentas difusoras de ideias que a permitam ensinar e ser ensinada, explicando um aumento nos últimos anos de cursos de graduação adaptados em diversas universidades. Entretanto, ainda insuficientes no interior do país e na educação básica tanto em estrutura como em quantidade de profissionais qualificados.
Podemos observar, portanto, que surdos brasileiros enfrentam desafios que urgem por mudanças. Dessa forma, é necessária maior mobilização governamental e empresarial na capacitação de profissionais e do ambiente escolar, além da valorização e contratação de surdos em todos os setores, garantindo sua visibilidade e protagonismo dos próprios surdos no processo educacional, atingindo assim diversos estratos sociais. Assim, iniciativas como a do Inep sejam tão corriqueiras quanto fazer uma prova.