ENEM 2017 - Desafios para a formação educacional de surdos no Brasil
Enviada em 07/11/2017
“O homem é aquilo que a educação faz dele”. Haja vista a afirmação de Kant, é inegável a importância educacional na construção da identidade do indivíduo. Contudo, mesmo com os avanços das leis em relação a formação escolar dos surdos no Brasil, esse direito ainda é negligenciado em diversas instituições do país, seja pelo preconceito enraizado, seja pelo despreparo dos profissionais.
Sabe-se que, embora o capitalismo tenha concebido uma sociedade pautada nos lucros e na mais valia, a liquidez das relações pós-modernas reforçou essa conduta. Nesse contexto, o surdo tem sido marginalizado no âmbito escolar por não se adequar aos padrões dos demais alunos, já que sua linguagem não é adotada. Em consequência disso, a aversão ao outro se faz presente e sua formação acadêmica é prejudicada, a qual não o possibilita desfrutar do que a lei lhe proporciona, impedindo-o de alcançar seu pleno desenvolvimento. Prova disso foi a tardia implementação de escolas capazes de acolher e promover a sua cidadania, não adotando o modelo Aristotélico - tratar desigualmente os desiguais à medida em que esses se desigualam.
Ademais, tais organizações não possuem efetiva capacitação à acessibilidade devido a ineficiência do preparo de gestores e educadores. O sucateamento de universidades públicas e privadas faz com que todo o conteúdo a ser abrangido por esses profissionais em formação não seja abstraído, portanto não há a autêntica aprendizagem de libras para incluir essas pessoas com necessidades especiais e a construção da alteridade nas salas de aula.
Logo, a omissão desse dever prejudica o acesso à educação e aos benefícios que esta produz. A fim de atenuar e, gradualmente, erradicar essa mazela do preconceito, o Ministério da Educação em parcerias com instituições privadas deve proporcionar melhores condições de infraestrutura dos locais em que as aulas são lecionadas com o uso de tecnologias, materiais didáticos em braile e docentes capacitados em libras de modo a interagir toda a classe - inclusão. Além disso, reformular as grades curriculares do ensino básico ao aumentar a carga horária de filosofia e sociologia para erigir a aceitação do outro, bem como avaliações periódicas dos futuros formandos nessa área, pois, só assim, os surdos serão o que a educação fará deles.
Ps: Coloquei braile na proposta de intervenção, pois confundi. Fiquei muito preocupada. Isso vai descontar muitos pontos? :(