ENEM 2017 - Desafios para a formação educacional de surdos no Brasil

Enviada em 07/11/2017

De acordo com o sociólogo Émile Durkheim, a sociedade pode ser comparada a um “corpo biológico” por ser, assim como esse, composta por partes que interagem entre si. Desse modo, para que esse organismo seja igualitário e coeso, é necessário que todos os direitos dos cidadãos sejam garantidos. Contudo, no Brasil, isso não ocorre, pois em pleno século XXI os deficientes auditivos ainda são alvos de discriminação. Esse quadro de persistência de “maus tratos” com esse setor é fruto, principalmente, de uma cultura de desvalorização do surdo e de medidas lentas e pouco eficientes por parte do governo.

Ao longo da formação do território brasileiro, o preconceito a deficientes auditivos sempre esteve presente, como por exemplo na posição da monarquia anterior ao império de Dom Pedro II. Consequentemente, foi criada uma noção de inferioridade em relação aos surdos. Dessa forma, muitas pessoas julgam ser correto tratar o deficiente de maneira diferenciada e até desrespeitosa. Logo, há muitos casos de desamparos contra esse grupo, em que o acesso à educação é o mais prejudicado, correspondendo entre 2011 e 2016 a uma queda de 50% das matrículas na educação básica. Nesse sentido, percebe-se que os surdos têm seus direitos negligenciados por uma cultura geral preconceituosa. Sendo assim, esse pensamento é passado de geração em geração, o que favorece o continuísmo do desprezo.

Além dessa visão segregacionista, a lentidão e burocracia da implementação de novas medidas educativas colaboram com a permanência das inúmeras formas de preconceito. No país, o mercado de trabalho para o surdo é minimalizado e o Estado acaba não impondo-se diante disso. Isso ocorre também com a Lei n° 10.436, que insere a língua Brasileira de Sinais(LIBRAS) como segunda língua oficial, sendo reconhecida somente a partir de 2002. Nessa perspectiva, muitos indivíduos ao verem essa ineficiência continuam violentando moralmente os surdos e não são punidos. Sendo assim, esses são alvos de torturas psicológicas em diversos locais, como no ingresso a escola e vida profissional.        Essa negligência contra esse setor, portanto, ainda é uma realidade brasileira, pois há uma diminuição do valor dos surdos, além do Estado agir de forma lenta. Para que o brasil seja mais articulado como um “corpo biológico” cabe ao Governo fazer parcerias com ONGs, em que elas possam encaminhar, mais rapidamente, os casos de discriminação às Delegacias e o Estado fiscalizar severamente o andamento dos processos e implementar medidas aprimoradas que facilitem a admissão à educação do surdo. Passa a ser a função também das instituições de educação promoverem aulas de Sociologia, História e Biologia, que enfatizem a importância da boa convivência e respeito ao deficiente …………….auditivo,.por meio de palestras, materiais históricos e produções culturais, afim de amenizar e, futuramente, acabar com a discriminação. Outras medidas devem ser tomadas, mas, como disse Oscar Wilde: “O primeiro passo é o mais importante na evolução de um homem ou nação. ”