ENEM 2017 - Desafios para a formação educacional de surdos no Brasil

Enviada em 07/11/2017

Os filósofos empiristas defendem que o contato com o mundo sensível e o diálogo são fundamentais para alcançar o conhecimento. Indo de encontro com essa máxima da epistemologia, os deficientes auditivos no Brasil sofrem para conseguir uma formação educacional de qualidade - haja visto o seu isolamento social. Nesse contexto, a lógica excludente da sociedade civil e a falta de investimentos pelo Estado se destacam como os principais empecilhos para a inclusão de surdos no sistema educacional brasileiro.

Em uma primeira análise, é válido ressaltar que a sociedade brasileira ainda carece de uma mentalidade inclusiva. O fato de um indivíduo surdo ter limitações comunicativas já é suficiente para um cidadão brasileiro - acomodado com o domínio apenas de sua língua nativa - ignorar a existência desse indivíduo. Dessa forma, a ação comunicativa como método de inclusão, objeto de estudo da filosofia de Jürgen Habermas, não é efetivada em território nacional, e os deficientes auditivos não conseguem, por estarem isolados socialmente, adquirir uma formação educacional qualitativa.

Sob outra perspectiva, é indispensável enfatizar que a falta de investimento estatal é crucial para o comprometimento da formação educacional de surdos. Infelizmente, os avanços legislativos, como a aprovação do Estatuto da Pessoa com Deficiência, em 2016, não são acompanhados por uma atuação enérgica do Estado através de mecanismos de inclusão. Nesse sentido, a quase inexistência da difusão da Libras - através de profissionais, sobretudo docentes, capacitados no entendimento dos sinais - impede a formação educacional de diversos surdos, dificultando a inserção desses no mercado de trabalho.

Destarte, é evidente a necessidade de consolidar uma formação educacional de qualidade para surdos no Brasil. Nesse sentido, é indispensável a atuação do Ministério da Educação, que deve instituir, na grade curricular dos ensinos fundamental, médio, e nos cursos superiores de Licenciatura, uma carga horária semanal obrigatória voltada para o ensino da Língua Brasileira de Sinais - com a finalidade de democratizar a comunicação. Nas aulas dessa matéria, também seria ressaltada a importância da inclusão de deficientes auditivos na sociedade brasileira, com o objetivo de fomentar uma mentalidade mais inclusiva e altruísta. Dessa forma, a até então utópica formação educacional qualitativa de surdos se torna realidade, e essa minoria, através da ação comunicativa, se integra plenamente à sociedade brasileira.