ENEM 2017 - Desafios para a formação educacional de surdos no Brasil

Enviada em 07/11/2017

O longa-metragem “Babel” narra dramas e conflitos vividos por diferentes famílias em diversas partes do mundo, e, entre elas, aborda as dificuldades e preconceitos enfrentados por uma jovem japonesa, graças à sua condição de surdez. Longe de ser uma realidade apenas cinematográfica, tal situação se faz presente no Brasil, principalmente no ambiente educacional pouco inclusivo. Por um lado, percebe-se tal realidade surgindo a partir do individualismo e preconceitos presentes na sociedade. Por outro, as barreiras físicas e pedagógicas no espaço da educação contribuem com o problema.

É importante mencionar, primeiramente, que, para o sociólogo polonês Zygmunt Bauman, uma das características da chamada “modernidade líquida” é o individualismo presente nas relações sociais. Neste sentido, percebe-se que a busca por interesses particulares e o descaso para com o bom funcionamento social são os principais causadores do problema, haja vista que, quando esses fatores se fazem presentes, surge a problemática da exclusão. Além disso, o preconceito sofrido por essa minoria, seja por baixa oferta de emprego adaptado aos surdos, ou até mesmo por uma visão de inferioridade dessas pessoas, acaba por agravar a situação. Logo, deprende-se que a baixa inclusão no ambiente educacional é apenas reflexo de uma sociedade exclusiva e preconceituosa.

Ademais, os espaços de educação pouco integrantes corroboram com a situação de não inclusão. Partindo dessa verdade, a falta de uma estrutura institucional que promova acessibilidade a esses deficientes, associada à ausência de projetos pedagógicos inclusivos, em grande parte das escolas e universidade brasileiras, são fatores que afastam essas pessoas desses ambientes. Prova disso é que, segundo dados do Instituto Nacional de Extensão e Pesquisa – INEP -, entre os anos de 2011 e 2016 o número de portadores de surdez matriculados na Educação Básica caiu cerca de 8,8%, o que evidencia a baixa inclusão das escolas. Logo, verifica-se que há uma necessidade urgente de reverter esse quadro.

Fica claro, portanto, que medidas que possam derrubar as barreiras de inclusão dos surdos no Brasil devem ser tomadas. Por conseguinte, é papel do Ministério da Educação, por meio de cursos de extensão, a capacitação e qualificação de professores e diretores, além de destinar recursos, principalmente para a Educação Básica, com o objetivo de reconfigurar o espaço físico das escolas, garantindo inclusão e acessibilidade. Além disso, é papel da mídia promover a ficção engajada que retrate essa temática, além de divulgar ONGs que lutem por igualdade de direitos dessa minoria e promovem simpósios e palestras com os familiares dessas pessoas, a fim de que haja combate ao preconceito, para que, juntamente com as medidas governamentais, esse problema seja extinto.