ENEM 2017 - Desafios para a formação educacional de surdos no Brasil
Enviada em 07/11/2017
Bê - a - bá inclusivo
O artigo 5º da Constituição Federal de 1988 diz que todo indivíduo é igual perante a lei e deve partilhar dos mesmos direitos. Todavia, o que se observa na conjuntura atual da sociedade brasileira é uma série de desafios enfrentados pela população surda no que diz respeito a formação educacional. Tais desafios são resultados da falta de conhecimento da pessoa surda e de seus familiares acerca do processo educacional, o que se soma a pouca quantidade de profissionais qualificados na área, como também ao preconceito enfrentado por essas pessoas, tanto durante o ensino, como na empregabilidade.
A priori, sabe-se que a educação é um dos direitos garantidos a pessoa surda pela lei da acessibilidade, entretanto, já dizia Drummond: “Somente leis não bastam”. Por isso, ainda se evidencia na sociedade brasileira a falta de conhecimento dos direitos e da funcionalidade da pessoa surda, que acaba muitas vezes, em decorrência da dificuldade imposta pelos familiares, por dificultar o processo educacional dessa pessoa. Dessa forma, observa-se ainda, a baixa visibilidade do Atendimento Educacional Especializado (AEE), programa este que tem por finalidade formar profissionais para atuarem na inclusão de pessoas com deficiências nas escolas, portanto, o baixo número de profissionais capacitados inviabiliza o processo educacional dessa classe.
Nesse contexto, como ressalta Einstein: “É mais fácil desintegrar um átomo, que um preconceito.”, a população surda sofre também com o preconceito durante o processo educacional, facilitado pela falta de acesso à Língua Brasileira de Sinais (LIBRAS) por parte da sociedade em geral, como também durante o processo empregatício. Fato evidenciado em pesquisa recente do DataFolha, que mostra que 65% dos grandes empresários revelam ter receio de contratar uma pessoa com deficiência, como também na Lei de Cotas, em que apenas de 2% a 3% das vagas são reservadas a deficientes.
Depreende-se, portanto, que é inegável a existência de inúmeros desafios acerca da formação educacional de surdos no Brasil, e que para sanar tais comorbidades faz-se necessário a ampliação do AEE e a inclusão da LIBRAS no currículo escolar por parte do Ministério da Educação, como também a ampliação da Lei de Cotas, tanto para o acesso a Universidade como também para cargos públicos, e ações midiáticas de divulgação de cursos para formação de profissionais para atuarem na inclusão da pessoa surda na sociedade. Dessa forma, pode-se garantir a população surda a tão importante educação inclusiva, pois já dizia Kant: “O ser humano é aquilo que a educação faz dele.”.