ENEM 2017 - Desafios para a formação educacional de surdos no Brasil
Enviada em 07/11/2017
Em 1938, no governo de Getúlio Vargas, a lei de imigração proibia a vinda de imigrantes com deficiência para o Brasil, entre eles os surdos. Embora ocorrido há anos, esse fato denuncia a persistência da negação dos direitos das pessoas surdas.Nesse viés, hoje, no Brasil, esse problema é refletido, principalmente, nos desafios que essa minoria enfrenta na formação educacional devido a ineficiência do Estado em consonância com a omissão da situação. Assim, mais que debates, essa problemática exige meios de combate efetivos.
Em primeiro plano, é indubitável que no Brasil há uma negação dos direitos educacionais das pessoas com deficiência auditiva. Isso ocorre porque há uma morosidade do Estado no que tange efetivação das alternativas de acessibilidade na educação para que ela seja democrática. A saber, de acordo com o Ministério da Educação, cada vez mais, a presença de alunos surdos diminui nas escolas. Desse modo, a falta de profissionais especializados, a falta de equipamentos e o preconceito contribuem para essa exclusão. Logo, ainda que a Constituição Federal assegure um sistema educacional inclusivo, o que se nota é a inoperância desse direito, haja vista, as pessoas com surdez enfrentam desafios cotidianamente na educação.
Ademais, julgar um cidadão surdo como incapaz ou diminuto é, sobretudo, um preconceito. Vale destacar, que um dos maiores músicos, o Bethoveen, foi cometido por uma surdez que, no entanto, não o limitou. Com isso, nota-se que pessoas surdas são igualitariamente competentes e capazes para o mercado de trabalho. Todavia, muitas vezes tornam-se limitadas devido a falta de acesso a educação por meio da restrição da comunicação, ainda que a Língua Brasileira de Sinais seja a segunda língua oficial do país, e o preconceito. Outrossim, a omissão da situação contribui para a continuidade da problemática ao passo de que poucos se importam e não lutam pelo rompimento dos desafios na formação educacional dos surdos que é um problema de todos. Desta forma, mesmo que muitos direitos foram alcançados, como a garantia da educação bilíngue em libras, falta retirá-los do papel e colocá-los em prática.
Urge, portanto, que o Ministério da Educação torne obrigatório o ensino da linguagem brasileira de sinais em todos os níveis de ensino, a fim de promover a comunicação. Para isso, é preciso a contração de professores especializados em libras por meio de um processo seletivo em todos as regiões do país. Também, as secretarias de educação das cidades devem investir na tecnologia, como por exemplo sensores que detectam música por meio da vibração, visando a maior participação das pessoas surdas nas atividades educacionais. Tudo isso em prol de uma educação democrática.