ENEM 2017 - Desafios para a formação educacional de surdos no Brasil
Enviada em 07/11/2017
Brás Cubas, o defunto-autor de Machado de Assis, em suas “Memórias Póstumas” relata que não teve filhos e não transmitiu a nenhuma criatura o legado de miséria. Talvez hoje percebesse acertada sua declaração: a postura de muitos brasileiros frente à disseminação de práticas egoístas em relação à população surda é uma das mais perversas de uma sociedade em desenvolvimento. Nesse sentido, surge a problemática de comportamentos maléficos contra tais deficientes, seja pelo preconceito de muitos cidadãos, seja pela falta de inclusão desses deficientes nas escolas.
É indubitável que os surdos continuam sendo alvos de práticas discriminatórias no cenário atual. Isso pode ser evidenciado ao perceber que diversos estabelecimentos não tem suporte para aceitá-los no mercado de trabalho. Com isso, há uma intensa marginalização dessas pessoas, que se sentem reféns de uma sociedade que se impõe como superior. Dessa forma, os deficientes são acometidos por inúmeros transtornos psicológicos: depressão, por não conseguirem estabelecer relações sociais, além de vários começarem a autodeclararem inúteis e, consequentemente, cometerem suicídio. É inadmissível essa triste situação em um país predominantemente diversificado em inúmeros setores sociais.
Outrossim, é válido ressaltar que a não inclusão de tais deficientes no ambiente escolar é fator favorável para consolidar a exclusão dos mesmos. Desde 2011, segundo o INEP, há uma queda considerável de matrículas de pessoas portadoras de tais condições especiais em todas as escolas, tendo em vista, principalmente, a não preparação dos professores para incluí-los na educação básica em consonância com a inexistência de infraestrutura que visa auxiliar no ensino desses indivíduos. Paulo Freire falava da importância da educação na formação profissional de todos. No entanto, se não há o básico para os surdos, certamente será difícil para eles ingressarem na vida acadêmica.
Infere-se, portanto, que é urgente propor medidas para extinguir dos brasileiros as inúmeras práticas egocêntricas e proporcionar espaços para os surdos. Sendo assim, faz-se necessário que a Receita Federal destine recursos para que o Ministério da Educação elabore livros em Libras e capacite os professores, a fim de ensinar de acordo com a realidade desses deficientes, além de contar com a participação de psicólogos e representantes surdos da sociedade com o intuito de discutir junto com todos os alunos das escolas a importância de valorizar as diferenças no mundo atual. Assim, poder-se-á estabelecer um legado que Brás Cubas pudesse se orgulhar.