ENEM 2017 - Desafios para a formação educacional de surdos no Brasil
Enviada em 07/11/2017
Durante o período histórico conhecido como Antiguidade, os deficientes, entre eles os surdos, eram rejeitados pela sociedade. Séculos se passaram, e, embora alguns direitos tenham sido assegurados entre esse grupo, ainda há desafios a serem superados, inclusive na formação educacional brasileira.
Preliminarmente, as escolas brasileiras se mostram negligentes frente à questão. O filósofo grego Aristóteles trouxe à tona que devemos tratar igualmente os iguais e desigualmente os desiguais, na medida de sua desigualdade. Nessa perspectiva, embora a Constituição Federal de 1988 defenda que a educação seja um direito universal, os portadores de deficiência auditiva têm dificuldade no acesso a ela, visto que as escolas brasileiras, em sua maioria, não possuem material didático com linguagem adequada para atender o público em questão. Como consequência disso, existem mais alunos deficientes fora da escola do que dentro dela, conforme afirma o Censo Escolar. Posto isso, as necessidades dos surdos não são supridas pelas instituições educacionais brasileiras, contrariando, assim, a tese aristotélica.
Ademais, o corpo docente no país, em geral, não é preparado para lidar com a problemática. Similar a Aristóteles, o sociólogo Boaventura Santos afirma que temos o direito de ser tratados igualmente quando a nossa diferença nos inferioriza. Sob esse contexto, a não capacitação dos professores brasileiros na Língua Brasileira de Sinais dificulta a formação intelectual dos portadores dessa deficiência, haja vista que, embora existam escolas preparadas para recebê-los, a maioria se localiza apenas em grandes centros como São Paulo. Averigua-se, portanto, que a ausência de preparo dos docentes torna a formação escolar dos surdos um problema no Brasil, tendo em vista que eles não são tratados igualmente, como defendeu Boaventura Santos.
À luz do que foi observado, a inclusão do grupo abordado ainda é um desafio a ser superado. Urge que o Ministério da Educação crie cursos de capacitação profissional para professores de todo o país e desenvolva materiais didáticos apropriados à Língua Brasileira de Sinais, através de investimentos federais retirados de parte dos impostos recolhidos pela Receita Federal, a fim de promover um maior acesso dos surdos na educação e tornar suas formações mais fáceis. A partir disso, a perspectiva acerca dos deficientes presente na Antiguidade será combatida e a igualdade social defendida por Aristóteles e Boaventura Santos será garantida no Brasil.