ENEM 2017 - Desafios para a formação educacional de surdos no Brasil

Enviada em 07/11/2017

Durante o terror da Segunda Guerra Mundial, o escritor austríaco Stefan Sweig fugiu para o Brasil em virtude da perseguição nazista na Europa. Beatificado com o potencial do país, em 1948, Sweig publicou um livro cujo título é reproduzido até os dias atuais: “Brasil, o país do futuro.” Contudo, quando se observam os impasses apresentados pela formação educacional, sobretudo dos surdos, percebe-se que a profecia não saiu do papel.

É válido ressaltar que a escassez de profissionais habilitados em Libras na esfera escolar é um grave problema. A Lei 13.146 assegura a oferta da educação em escolas bilíngues. No entanto, a mesma não inclui a obrigatoriedade no ensino público, proporcionando, dessa maneira, a segregação social. Devido a essa realidade, os portadores de deficiência auditiva possuem chances elevadas de sofrer o que o sociólogo Bourdieu denomina de Violência Simbólica, ou seja, um grupo composto pela minoria da população sofre preconceito por um direito que deveria ser oferecido -educação.

Além da escassez de profissionais capacitados para educar os surdos, os deficientes que conseguem ao menos concluir o ensino superior encontram obstáculos no mercado de trabalho. Um dos maiores problemas desencadeadores é o preconceito. Boa parte dos empregadores deixa de contratar o indivíduo por este ser portador de deficiência. Essa realidade é preocupante, visto que compromete com a economia do país e impede a entrada de um cidadão qualificado no mercado de trabalho apenas por uma limitação -que muitas vezes não afeta o desempenho profissional. Diante disso, é imprescindível a desconstrução de preconceitos e ideias retrógradas a fim de incluir os surdos na sociedade.

Diante do exposto, verifica-se a necessidade de superar os impasses a fim de realizar a profecia de Stefan Sweig e ofertar uma formação educacional aos deficientes auditivos. Primeiramente, cabe ao Poder Legislativo reformular a Lei 13.146, tornando obrigatório a participação de professores habilitados em Libras não somente nas escolas públicas, mas em todas as escolas do país, para quê dessa forma, os surdos tenham uma educação de qualidade. E, por fim, cabe ao Governo Federal e Estaduais a fiscalização rigorosa e frequente da participação de deficientes em empresas, e, quando houver, gratificá-las através de prêmios e divulgações na mídia, para que dessa forma, torna-se referência e outras empresas possam ver a contratação de deficientes com outros olhos.