ENEM 2017 - Desafios para a formação educacional de surdos no Brasil

Enviada em 07/11/2017

De acordo com o artigo 5º da Constituição Federal, em consonância com a Declaração Universal dos Direitos Humanos, a DUDH, da qual o Brasil é signatário desde 1948, todo membro da família brasileira tem direito à educação plena. No entanto, passados quase 3 décadas da promulgação da primeira e quase 70 anos da assinatura da segunda, a sociedade brasileira ainda apresenta desafios para a formação educacional de surdos. Logo, poder público e coletividade devem unir forças objetivando superar esse desafio social.

Em primeiro plano, o principal desafio enfrentado pelos deficientes auditivos é a falta de  acessibilidade no ambiente escolar. Isso se deve, em grande medida, à ausência ou precariedade nas escolas, especialmente as da rede pública, de artifícios que auxiliem esse público, como professores qualificados de Libras. Dessa maneira, esse obstáculo enfrentado por esses indivíduos ocasiona, não raramente, em evasão escolar, o que prejudica diretamente a futura inclusão dos surdos no mercado formal de trabalho.

Outro aspeto que vale um debate é a negligência da família quanto ao acesso de jovens surdos ao sistema educacional. Segundo Zygmunt Bauman, em sua célebre obra “Modernidade Líquida”, a velocidade é a principal marca dos dias de hoje. Nesse sentido, os responsáveis dos jovens deficientes auditivos, movidos pela correria do dia a dia e pela rotina desgastante de trabalho, acabam negligenciando a educação dos jovens e não reivindicam, ao poder público, por esse direito.

Urge, portanto, que medidas sejam tomadas visando a formação educacional dos surdos. Para tanto, os Estados, com aporte financeiro da União, sobretudo nos municípios com maior contingente de deficientes auditivos, devem aumentar o investimento na adaptação das escolas, através da contratação de professores de libras especializados, a fim de obter uma educação inclusiva de qualidade. Ademais, a mídia socialmente engajada deve abordar em suas novelas e minisséries - visto que tem um forte impacto social - a problemática em questão, propiciando o diálogo familiar e, por conseguinte, alertando aos pais sobre a atenção devida aos filhos que apresentam esse tipo de deficiência. Deste modo, observada uma ação conjunta entre Instituições públicas e sociedade civil, o país dará passos mais firmes na direção de fazer jus à sua carta magna e à DUDH.