ENEM 2017 - Desafios para a formação educacional de surdos no Brasil

Enviada em 07/11/2017

A constituição de 1988 foi um marco para a sociedade brasileira. Apelidada de “cidadã”, esta proporcionou direitos políticos, civis e sociais à inúmeros grupos subjulgados, além de garantir uma educação básica de qualidade à todos os deficientes, inclusive os surdos. No entanto, essa inclusão proposta pela carta magna ainda não é perceptível no âmbito escolar, que é marcado por inúmeros desafios, devido, principalmente, à exclusão desses indivíduos nesse ambiente e ao baixo investimento do governo com a educação.

Segundo Zygmunt Bauman, importante sociólogo polonês, a indiferença pelo próximo é algo predominante na pós - modernidade. Assim, o mal se revela quando deixamos de preocupar com o sofrimento que os surdos passam no âmbito escolar, que é marcado pela exclusão de deficientes na interação com os outros alunos. Estes últimos não permitem que um deficiente entre no círculo de amizades, devido à falta de comunicação e interação desses. Assim, o preconceito é gerado. Portanto, seguindo preceitos de Paulo Freire, o ensino escolar não deve ser baseado em uma educação mecanicista, apenas com o intuito de preparar o aluno para provas, mas em uma mais humanística, pautada nas relações humanas e ensino às diferenças.

Além disso, a falta de investimento no âmbito educacional prejudica os portadores de necessidades auditivas, pois há a necessidade de uma logística mais adaptada e preparada, inclusive de professores qualificados, para o ensino aos infantes. No entanto, a maioria das escolas apresentam poucas ou restritas condições necessárias para a educação dos surdos, acarretando em um pequeno interesse desses pela escola. Assim, há o aumento da evasão escolar, como é perceptível na diminuição das matrículas de surdos na edução básica, conforme dados do INEP.

Portanto, medidas são necessárias para a resolução desse problema. O Ministério da Educação deve propor uma educação mais humanística nas escolas, por meio do acréscimo de disciplinas baseadas na comunicação e relações humanas, com o intuito de aproximar os alunos sem necessidades especiais aos surdos, para que não seja mais predominante a indiferença com o próximo e assim, haver a formação educacional dos surdos. Além disso, o governo deve repassar uma maior quantidade de verbas às escolas para que estas tenham condições necessárias para o ensino e formação dos portadores de necessidades auditivas.