ENEM 2017 - Desafios para a formação educacional de surdos no Brasil
Enviada em 07/11/2017
Segundo o geógrafo Milton Santos, “o simples nascer investe o indivíduo de uma soma inalienável de direitos”. No entanto, pessoas com deficiência são privadas de vários direitos, como o direito à educação. Assim, muitos surdos têm dificuldade para concluir os estudos, já que há muita exclusão social e preconceito, além de várias instituições de ensino não serem preparadas e adaptadas para promoverem uma educação de qualidade para essas pessoas. Diante disso, adotar ações afirmativas, como políticas públicas de ensino, mostram-se o melhor caminho para combater os obstáculos na formação educacional de surdos no Brasil.
Em “Modernidade Líquida”, o sociólogo polonês Zygmunt Bauman discorre sofre a superficialidade e a efemeridade dos relacionamentos humanos. Para ele, os laços estão cada vez mais frouxos e líquidos. Por certo, sua teoria se relaciona com a dificuldade na formação educacional dos surdos no Brasil, visto que o atual panorama do país é embasado na falta de altruísmo, no individualismo e no preconceito. Dessa forma, várias pessoas com deficiência auditiva são discriminadas e excluídas socialmente nas escolas e em universidades. Com isso, elas não conseguem se adaptar e participar das atividades, o que prejudica o desenvolvimento e o aprendizado.
Além disso, várias escolas não são adaptadas à diversidade. Isso porque, mesmo com a Lei Brasileira de Inclusão — que estabelece que as instituições de ensino devem estar preparadas para incluir e ensinar qualquer aluno —, a maioria dos profissionais não são qualificados em Libras, além dos livros não terem a língua brasileira de sinais. Ademais, apesar da primeira escola exclusiva para surdos ter sido criada em 1857, no Brasil Império, ainda várias cidades não possuem esse tipo de educação. Desse modo, muitos surdos são privados de cidadania, não tendo educação de qualidade, o que dificulta sua interação na sociedade e, consequentemente, no mercado de trabalho.
Fica claro, portanto, que os surdos ainda têm muitos entraves em sua formação educacional. Logo, faz-se necessário que o Ministério da Educação, juntamente com ONG’s, invista na qualificação de professores para promover a inclusão desses deficientes, por meio de cursos gratuitos de libras. Além disso, deve disponibilizar para as escolas livro e materiais especiais, para que todas estejam preparadas para receber e promover o aprendizado de qualquer aluno. Por fim, palestras e aulas de libras devem ser realizadas para todos os alunos das instituições de ensino, para que todos consigam lidar com a diversidade de forma respeitosa e altruísta.