ENEM 2017 - Desafios para a formação educacional de surdos no Brasil
Enviada em 07/11/2017
Estigmas ensurdecedores
As instituições de ensino, para Michel Foucault, funcionam de modo a modelar os corpos e torná-los aptos para a convivência em sociedade, com convenções e costumes. No entanto, tal processo é deturpado quando referente a deficientes auditivos, cuja população tem a isonomia burlada por mazelas de cunho estrutural, social e, especialmente, educacional. Desse modo, urge a necessidade de debates a fim de assegurar o bem-estar e o desenvolvimento da educação dos surdos no Brasil.
Nesse viés, a precarização do trabalho docente corrobora para a intensificação da vulnerabilidade social de deficientes. A baixa remuneração salarial somada à carência de infraestrutura básica no meio escolar acarretam a incapacidade dos educadores de proporcionar a plena aprendizagem e autonomia aos surdos. Dessa maneira, o conceito de cidadania, para Thomas Humphrey Marshall, não se torna aplicável aos portadores de deficiência, os quais são privados do acesso a uma boa qualificação profissional e de direitos civis básicos, como a livre movimentação.
Outrossim, a internalização de um preconceito velado desde a infância dificulta a integração de portadores de deficiência auditiva na sociedade. Destarte, a ausência de comunicabilidade no ambiente escolar, principalmente entre surdos e demais alunos, enaltece a segregação socioespacial e barra uma vivência harmônica. Valida-se, portanto, o pensamento de Jean-Jacques Rousseau, que postula o homem como ser livre de nascença, porém “acorrentado” às marcas da discriminação e do desrespeito às diferenças. É por meio de tabus e da apatia social que a deficiência perpetua-se como empecilho à educação.
Em suma, as chagas do ensino aos surdos ferem a equidade na sociedade e devem, pois, ser sanadas. Cabe ao Ministério da Educação e da Cultura a aliança com Prefeituras municipais a fim de garantir o deslocamento dos deficientes auditivos por meio de transportes com signos em Braille e assistentes sociais formados em Libras. Ademais, em conjunto com o Ministério da Saúde, o MEC deverá implementar nas escolas recursos para atendimentos psicológicos, os quais teriam o papel de acompanhar mentalmente e identificar fatores de risco à aprendizagem, além de incluir à grade curricular a matéria de Ética Comportamental, que alicerce equidade de modo a desconstruir estigmas ensurdecedores da democracia a partir de debates sobre moral e respeito com a comunidade.