ENEM 2017 - Desafios para a formação educacional de surdos no Brasil
Enviada em 07/11/2017
No filme nacional “Hoje eu quero voltar sozinho” o protagonista, Guilherme, é um adolescente cego que precisa lidar com a forma como a sua deficiência afeta a sua vida desde os impedimentos superprotetores de sua mãe ao bullying que ele sofre na escola. Fora da ficção, o brasil ainda enfrenta desafios para proporcionar um ambiente educacional inclusivo e seguro para deficientes, em especial os surdos. É indubitável que a maior parte das escolas de ensino fundamental e médio não estão equipadas com recursos que melhorem a qualidade de socialização de alunos com problemas auditivos como tradutores de Libras e o ensino dessa, que é a segunda língua oficial do País, para os demais estudantes. Durante a Idade Média, a presença de uma deficiência física ou mental era vista como uma punição divina e, por séculos, era comum exclui esses indivíduos da sociedade isolando-os em asilos. Tal tratamento era cruel e preconceituoso, tornando necessário que hodiernamente as políticas aplicadas à realidade nacional foquem na inclusão, e não na exclusão dos surdos, de forma que a sociedade brasileira seja aquela que se adapte às necessidades desse grupo e passe a tratá-los de forma digna e igualitária. Outrossim, é imprescindível que a mudança comece nas escolas. De acordo com dados do Inep, a quantidade de matrículas de alunos surdos na educação básica tem caído na casa dos milhares nos últimos anos – de 2011 a 2016 – quando o ideal era que esse número aumentasse. Contudo, ao ingressar em uma instituição de ensino o aluno com deficiência auditiva enfrenta diversos obstáculos como a falta de profissionais de tradução para Libras, o preconceito por parte de colegas de classe e o isolamento dos outros estudantes que não possuem conhecimento linguístico para adicionarem os surdos em seus grupos sociais. É preciso, portanto, encontrar medidas para solucionar esse impasse. O MEC deve adicionar ao currículo básico obrigatório do ensino fundamental ao médio o lecionamento de Libras para todos os alunos para que, dessa maneira, toda e qualquer criança não tenha barreiras para sociabilizar com deficientes auditivos dentro ou fora do ambiente escolar. Ademais, o Governo Federal e o Ministério da Justiça devem penalizar com multas as escolas que se recusarem a aceitar alunos surdos e a contratar um tradutor para acompanhar tal aluno durante as aulas, já que é dever do Estado e da comunidade escolar oferecer os recursos necessários para uma educação de qualidade aos deficientes. Com tais propostas o Brasil pode caminhar para se tornar um país mais inclusivo e ser referência em acessibilidade.