ENEM 2017 - Desafios para a formação educacional de surdos no Brasil

Enviada em 06/11/2017

Na música, assim como em diversas outras áreas do conhecimento, pessoas surdas tiveram certo destaque ao longo da história, uma vez que, por exemplo, grandes sinfonias foram compostas inteiramente por deficientes auditivos. No entanto, tal protagonismo só é alcançado através de uma educação especializada e direcionada, e esta, no Brasil, demonstra-se precária e sucateada. Desta forma, encontrar as causas desta realidade é o primeiro passo para, em seguida, solucioná-la.

Em primeiro lugar, deve-se analisar o descaso do poder público para com as pessoas com deficiências auditivas. Apesar da existência de instituições destinadas a tal parcela da população, como o “Instituto Nacional de Educação de Surdos”, o Estado falha em integrar tais indivíduos ao sistema educacional, de modo que a grande parte dos deficientes auditivos não se encontra matriculada em escolas. Desta forma, o Brasil deixa de fornecer uma educação democrática e abrangente aos seus cidadãos, tal qual era defendida pelo pedagogo nordestino Paulo Freire.

Ademais, é preciso reconhecer a exclusão social dos surdos brasileiros e como isso interfere em suas formações. Estas pessoas, por não compartilharem a mesma unidade linguística do restante da população, encontram dificuldades na comunicação e no relacionamento, visto que a linguagem de sinais é conhecida por uma parte pequena dos brasileiros. Nesse sentido, é válido afirmar que existe um preconceito linguístico para com a “Libras”, na medida em que esta é desprezada por grande parte da população, afetando, desse modo, o desenvolvimento social dos surdos do país.

A formação educacional dos deficientes auditivos no Brasil é, portanto, prejudicada em função do preconceito sofrido e da negligência do estado. Assim, é dever do governo garantir a matrícula de jovens surdos nas instituições especializadas, através do mapeamento desta parcela da população no próximo senso, a ser realizado em 2020, com o intuito de incluí-la no processo de educação e integrá-la a sociedade. Já às escolas e às universidades, por sua vez, cabe acabar com o preconceito relativo à linguagem de sinais, por meio da promoção de cursos gratuitos de “Libras”, que é, oficialmente, a segunda língua do país, de modo a valorizar a população surda do país e permitir que, assim como na música, grandes feitos sejam realizados por tais indivíduos.