ENEM 2017 - Desafios para a formação educacional de surdos no Brasil
Enviada em 06/11/2017
O sociólogo Augosto Comte compara a sociedade com um organismo vivo. Assim como um organismo, as partes que o constituem são interdependentes; se uma falha, todas as outras são prejudicadas. Baseando-se nessa teoria, convém discutir os desafios para a formação educacional de surdos no Brasil, já que a não inserção deles no ensino compromete a equidade do corpo social. Nesse sentido, a má qualificação de professores e a insuficiente tecnologia para o aprendizado dessa população representam justificativas fundamentais para essa problemática.
De início, é lícito observar o desinteresse das pessoas em graduações de licenciatura, a baixa especialização dos professores e o fechamento de inúmeros cursos de formação de educadores no Brasil. Frente a isso, os deficientes auditivos encontram dificuldades ao ingressarem em escolas de ensino básico, fundamental e superior por não obterem professores capacitados a lhes ensinar libras ou Sistema Braille. Com isso, ocorre uma segregação da população surda, uma vez que não é fornecido a eles um ensino equivalente as suas necessidades. Logo, como consequência de uma educação de baixa qualidade aos surdos, eles são segregados do mercado de trabalho, fato que contribui para o aumento da discriminação, bem como exclui pessoas com grande potencial cognitivo da educação.
Em segundo lugar, o Brasil é um país que tem desenvolvido sua tecnologia nos últimos anos e, com isso, melhorou o sistema agroexportador e setores de pesquisa, como na saúde. Esse cenário evolutivo também deveria ser aproveitado para aprimorar programas digitais, como tradutores de voz, em escolas e universidades a fim de promover uma inserção justa e igualitária dos surdos no sistema de ensino. Nessa perspectiva, consoante o filósofo Henry Thoureau, o desenvolvimento de uma sociedade está diretamente relacionado a qualificação educacional de sua população. Assim, com a difusão da tecnologia, muitos deficientes auditivos podem estar em sala de aula, fato que contribui diretamente para reduzir a desigualdade social do país, pois, isso evitaria que essa minoria dependesse de seus familiares economicamente ou se tornassem pedintes ou mendigos em centros urbanos, muito comum no contexto brasileiro atual.
Com a finalidade de promover uma formação justa e igualitária aos surdos, é necessário o Estado e a iniciativa privada, como universidades, investirem na qualificação dos professores para eles terem condições de ensinar qualquer tipo de aluno, deficiente ou não. Tal ação pode ser realizada por meio de intercâmbios para países que já possuem um ensino inclusivo, como na Europa e, assim, educadores que aprendam a utilizar e a desenvolver uma educação e uma tecnologia inclusiva. A execução dessa ação contribuirá para que a maioria de surdos brasileiros consigam melhor formação educacional.