ENEM 2017 - Desafios para a formação educacional de surdos no Brasil
Enviada em 06/11/2017
Ao longo do processo de desenvolvimento cultural e social do homem, a convivência com as diferenças físicas foi dada de inúmeras formas, como na cultura medieval japonesa, em que as deficiências eram interpretadas como ensinamentos dos deuses. Hoje, apesar dos progressos, deficiências como a surdez ainda encontram obstáculos no processo de integração social, representado, primordialmente, pela formação educacional. No Brasil, tais dificuldades são originadas e fomentadas tanto pela formação sociocultural da população, como pela ausência de politicas publicas que auxiliem tal grupo.
Mormente, é indubitável afirmar que o preconceito com deficientes está conectado com a realidade social do pais. O pensamento de que surdos seriam menos capazes e produtivos é algo presente e, certamente, influencia a vida educacional do cidadão. Para o sociólogo francês Émile Durkheim, o fato social é um conjunto de valores estabelecidos em uma sociedade que, dotado de exterioridade, norteia o comportamento dos indivíduos na conjuntura nacional. Analogamente, pode-se relacionar a teoria do sociólogo com a situação dos surdos no Brasil. Desse modo, é comum os pais optarem pela educação em casa com o intuito de privá-los do preconceito, o que dificulta ainda mais a socialização e a formação completa.
Outrossim, é preciso destacar o papel do governo no que tange ao processo de educação dos surdos. Apesar do respaldo legislativo, o numero de auxiliares educativos no ensino da Libra no país é pífio, assim como o preparo e distribuição de materiais específicos. Dados divulgados pelo Instituto de Pesquisa e Desenvolvimento da PUC-RS revelarem que menos de 10% das escolas do estado possuíam algum tipo de preparo estrutural para o acolhimento de deficientes físicos. Infere-se, desse modo, que as políticas públicas intrínsecas ao processo de formação educacional dos surdos são precárias e escancaram a prioridade dada ao grupo.
Entende-se, destarte, que os desafios para a formação educacional dos surdos estão presentes nos âmbitos culturais e políticos do país. Para atenuar o problema, ONG’s educacionais, aliadas ao Terceiro Setor, podem elaborar e distribuir panfletos, gibis e infográficos chamativos que exponham as consequências da negligencia e discriminação dos surdos no país, no processo educacional e profissional. Concomitantemente, a União deve conceder perdão de dívidas e isenção fiscal às empresas privadas que auxiliem o aprendizado e o suporte de Libras nas escolas, assim como a contratação de surdos. Desse modo, esse fato social será gradativamente minimizado no país.