ENEM 2017 - Desafios para a formação educacional de surdos no Brasil

Enviada em 06/11/2017

A constituição de 1988 garante, a todos os brasileiros, o direito de acesso à educação. Cientes das desigualdades a que pessoas com deficiências estão expostas ao longo de suas vidas, os legisladores incluíram, na carta magna, garantias a esse segmento. Todavia, existem aspectos culturais e técnicos atuando, conjuntamente, para reduzir a cidadania de indivíduos surdos no Brasil. A educação é uma atividade coletiva em que a marginalização do surdo começa a se concretizar, exigindo mudanças.

Em seu livro “Vendo vozes”, o cientista Oliver Sacks dissertou acerca da importância da formação cognitiva de surdos por meio de um código próprio. Tal relevância seria justificada pelo desenvolvimento de estruturas gramaticais favoráveis à comunicação sem a via sonora, bem como à possibilidade de trocas de ideias - indispensáveis à formação. Nesse sentido, a falta de conhecimento de ouvintes, em relação à estruturas linguísticas como a Libras, contribui para o empobrecimento da formação dos surdos, na medida em que restringe o universo comunicacional desse grupo.

Além disso, há uma invisibilidade de tal segmento que se manifesta no silêncio da sociedade, em grande número, sobre o tema. A ausência de debates públicos e o pequeno número de campanhas sobre a presença tímida dos não ouvintes em ambiente escolar e no mercado de trabalho ilustra esse problema. Sob tal perspectiva, pode-se inferir que o senso comum naturalizou a marginalização de parte da sociedade. Se a queda recente da entrada de surdos na educação básica não gera grande repercussão, sua condição cidadã é destituída da importância garantida legalmente.

A formação educacional de indivíduos sem audição, portanto, é obstaculizada por certa falta de empatia e de instrumentalização de parte da sociedade em relação ao segmento. Para promover cidadania, é necessário que o Ministério da Educação incentive o aprendizado de Libras, nas escolas, por sujeitos ouvintes. Tal medida pode ser concretizada pela oferta de cursos desse código na rede de ensino. Para complementa e potencializar essa proposta, as redes abertas de televisão e rádio podem promover campanhas, em maior quantidade, para estimular o esclarecimento acerca da importância de incluir os surdos, de modo mais consistente, na educação - e, por conseguinte, na vida social.