ENEM 2017 - Desafios para a formação educacional de surdos no Brasil
Enviada em 06/11/2017
No conto Uma Vela para Dario, de Dalton Trevisan, é retratada uma situação de indiferença social recorrente no ambiente urbano. Nessa perspectiva, a formação educacional de surdos no Brasil apresenta-se como uma verdadeira mímese dessa indiferença, calcada em abster-se da responsabilidade conjuntural da sociedade no desenvolvimento desses indivíduos.
Em primeiro plano, cabe ressaltar que a tarefa da formação de indivíduos surdos não é apenas do Estado. Partindo do fato de que o conhecimento é adquirido através da linguagem e que, para o filósofo Bacon, é o mecanismo capaz de emponderar o ser humano, fica evidente que a dominação da linguagem de sinais é imprescindível para que essa deficiência não limite o aprendizado e comunicação dessas pessoas. Por isso, faz-se necessário que todos conheçam Libras e sejam, assim, participantes da tarefa de melhorar a educação de surdos no Brasil.
Ademais, é necessário que as pessoas em geral, principalmente aquelas que convivem em ambiente escolar, deixem - por vezes - de enxergar esses indivíduos como doentes, pois não o são. Nesse aspecto, Humberto Gessinger, cantor e compositor brasileiro, afirma: “há tantos quadros na parede, há tantas formas de se ver o mesmo quadro, ninguém é igual a ninguém”. A partir disso, pode-se dizer que o fato de alguém não escutar é apenas uma das diferenças que podem existir entre duas pessoas e, portanto, não cabe vê-la como doença, mas como uma das características que torna cada ser humano único no mundo. Por isso, cada um deve ter a habilidade de aprender e também ensinar, transpondo os limites que as diferenças podem trazer.
Por conseguinte, medidas são necessárias para que a sociedade assuma sua parte na formação educacional dos surdos. Cabe, então, à mídia televisiva dos canais abertos, como Globo e SBT, a criação, em parceria com o Instituto Nacional de Educação de Surdos, de programas de ensino de Libras, para que a população tenha acesso a essa linguagem tão necessária para a disseminação do conhecimento. Ainda, cabe às escolas, unidas às prefeituras municipais, a instituição de palestras mediadas por pedagogos e psicólogos da prefeitura, que versem a respeito das diferenças e da capacidade de se aprender com elas. Assim, a realidade observada em Uma Vela para Dario deixaria de ser tão evidenciada no contexto da educação dos surdos no Brasil.