ENEM 2017 - Desafios para a formação educacional de surdos no Brasil
Enviada em 06/11/2017
Segundo Zygmunt Bauman, sociólogo polonês, a falta de solidez nas relações sociais, políticas e econômicas é característica da “modernidade líquida” vivida no século XX. Nesse contexto, a carência de escolas facilitadoras da inclusão educacional de surdos, bem como a diminuição de políticas públicas voltadas para a difusão da Língua Brasileira de Sinais( LIBRAS), são reflexos negativos dessa realidade.
A princípio, a problemática tem origem na insuficiência e na falta de estrutura dos educandários brasileiros destinados à educação especial. Sob essa conjectura, segundo dados da ONU, o Brasil não possui nenhuma cidade com escolas plenamente acessíveis educacionalmente para os portadores de surdez. Acrescenta-se a isso o número insuficiente de profissionais capacitados para atender o ensino e a difusão da LIBRAS. Além disso, a oferta de tecnologia assistiva que possa complementar o processo de aprendizagem é deficitário, gerando, assim, um descompasso entre a oferta de educação e a sua qualidade no âmbito da inclusão social e educacional.
Outro fator determinante está relacionado com a difusão social da língua de sinais para a população brasileira. Nesse contexto, Marcos Bagno, mestre em sociolinguística, afirma que no país ocorre uma supervalorização da língua portuguesa. Desse modo, observa-se um preconceito linguístico em relação a linguagem por gestos. Assim, a população apresenta uma tendência de distanciamento e desinteresse pela comunicação com os surdos. Cabe acrescentar a dificuldade de acesso à cursos gratuitos ou mais acessíveis para a sociedade.
O combate à liquidez citada anteriormente, a fim de conter o avanço do problema de formação educacional dos surdos, deve tornar-se efetivo, uma vez que representa um retrocesso social. Logo, é preciso que o Ministério da Educação crie mais escolas inclusivas e qualifique os profissionais envolvidos, com o intuito de melhorar a qualidade da educação especial. Além disso , é necessário que o Ministério de Ciências e Tecnologias intensifique a busca por ferramentas de tecnologias assistivas, com a finalidade de potencializar o ensino-aprendizagem dos deficientes auditivos. Por fim, urge que a imprensa, por meio de ações e campanhas, busque divulgar e reduzir o preconceito sobre a língua de sinais. Dessa maneira, com tais medidas, poder-se-á garantir o direito à educação especial como prevê o texto constitucional de 1988.