ENEM 2017 - Desafios para a formação educacional de surdos no Brasil
Enviada em 06/11/2017
Na antiguidade, crianças nascidas com alguma deficiência eram sacrificadas por serem consideradas “do mal”. Agora, porém, é garantida, por lei, sua igualdade social, política e civil. Embora muitas mudanças tenham ocorrido ao longo dos anos, essa minoria, especialmente os surdos, carece de igualdade, enfrentando muitos obstáculos no que tange á sua formação educacional.
O artigo 27 da Constituição Cidadã garante que a educação é um direito social da pessoa com deficiência. Essa realidade, contudo, está longe de ser alcançada: existe carência de escolas capacitadas para atender esse público - não há aulas de libras para surdos ou braille para cegos. Tal fato é notório principalmente nas escolas do interior, cujos recursos são restritos. Essa negligência, por parte das escolas e do poder público, fere os direitos dessa minoria, impossibilitando a construção do conhecimento de forma igualitária, uma vez que não garante a acessibilidade adequada.
Ainda, embora as políticas de ações afirmativas contemplem deficientes auditivos, esse público não é significativo nas universidades. Consoante dados de um estudo realizado com ingressantes do ano de 2016 pela Universidade Federal de Pelotas, menos de um por cento dos calouros apresentam surdez - total ou parcial. Esse dado é preocupante, pois essa proporção não corresponde ao peso relativo dessa parte da população. Isso pode ser explicado pelo fato de muitos estudantes sofrerem discriminação dentro do ambiente acadêmico, gerado,muitas vezes, por estranhamento e desconhecimento dos demais alunos à essa população, evidenciando a necessidade de “normalizar” o contato entre esses estudantes.
Torna-se evidente, portanto, a necessidade de medidas para solucionar esse impasse. É primordial que o Governo Federal aprimore as leis vigentes, por meio da obrigatoriedade de professores de libras e braille nas escolas públicas e privadas, a fim de garantir o acesso de estudantes surdos e cegos nessas instituições. Por consequência, garantirá o contato, desde cedo, entre as minorias e os demais estudantes. Assim, ao mesmo tempo, promove a acessibilidade e desconstrói o preconceito que cerca os estudantes com deficiência.