ENEM 2017 - Desafios para a formação educacional de surdos no Brasil
Enviada em 07/11/2017
Na Antiga Grécia, mais especificamente em Esparta, era comum o arremesso de crianças com algum tipo de deficiência de precipícios. Ainda que date de séculos atrás, é incontrovertível que a aversão e segregação, principalmente com os surdos no âmbito educacional, são miasmas sociais e coexistem na hodierna conjuntura brasileira. Isso se deve, entre outros fatores, à precária assistência oferecida pelo Estado a essa parcela populacional, somado ao descaso do assunto pela sociedade e instituições de ensino.
Primeiramente, é direito constitucional, conforme o Artigo 5º, a isonomia de todos os cidadãos sem distinção de qualquer natureza. Contudo, na prática, a realidade se opõe à expectativa, de modo que os deficientes auditivos têm muita dificuldade de se inserirem social e educacionalmente devido à barreiras comunicativas e à falta de estrutura das escolas para acolhe-los e educa-los.
Ainda nesse contexto, como afirmado por Paul Hunt, a deficiência é um fator social e não biológico. Dessa maneira, infere-se que a surdez não deve ser um fator limitante, que inviabilize os direitos destes de uma formação escolar e até universitária. Porém, essa não é a realidade desta população, que vive, majoritariamente, excluída devido a ao baixo conhecimento da Língua brasileira de sinais (Libras) pelos demais cidadãos.
Urge, portanto, reversões dos entraves supramencionados. Cabe ao MEC em parceria com os Governos Municipais, reformularem a base educacional, impondo a obrigatoriedade de todas as escolas públicas criarem condições e infraestrutura para educar os deficientes auditivos. Isso poderia ser consolidado através de capacitações do corpo docente, que aprenderia Libras para conseguir se comunicar e educar de modo não segregacionista, além de corroborar com a disseminação deste idioma para os outros alunos, criando assim cidadãos mais inclusivos. Destarte, seria possível mitigar essa lúgubre tribulação que a sociedade brasileira consente.