ENEM 2017 - Desafios para a formação educacional de surdos no Brasil
Enviada em 30/10/2019
Barreiras atemporais
Séc. III a.c, Grécia, Espartas; não era incomum crianças portadoras de algum tipo de deficiência ser rejeitada ou, até mesmo, assassinada por representar algum tipo de fragilidade para a nação. Mais de 500 anos depois, é notório que, no Brasil atual, pessoas como os surdos enfrentam diversas dificuldades em seu cotidiano, principalmente ao que se refere a formação educacional, seja pela falta de infraestrutura, seja pela falta de representatividade e empatia social.
Em primeiro plano, é importante ressaltar que a maioria das instituições de ensino não possuem infraestrutura adequada para assegurar um desenvolvimento acadêmico eficiente aos portadores de surdez. Em meio a isso, é perceptível que a falta de capacitação dos docentes em sala de aula é uma das principais barreiras entre o aluno e o professor, já que, muitas vezes, a língua dos surdos não é conhecida pelo pedagogo. Nesse sentido, pode-se vincular dados de pesquisas realizadas pelo INEP, em que a taxa de surdos na educação básica vem apresentando um decréscimo ao longo dos anos: números que refletem um meio exclusivo.
Outrossim, além dos empecilhos causados pela falta de infraestrutura, a baixa representatividade e empatia social também se tornam fatores intensificadores da problemática; uma vez que a realidade dos surdos é pouco difundida socialmente. Diante disso, segundo o escritor português Eça de Queirós, não é possível ter empatia e compreensão do outro sem uma identidade de ideias e pensamentos e, nessa ótica, sociedade e indivíduo permanecem afastados. Assim, faz-se necessário a dissolução dessa conjuntura.
É evidente, portanto, que medidas são necessárias para dirimir a questão. A priori, é fundamental que a partir da composição tripartite - governo, ministério da educação e escola - haja a promoção e estruturação de programas de capacitação de docentes nas escolas, por meio da inserção obrigatória da língua de sinais - Libras - no currículo dos professores, para que, assim, seja garantido um sistema educacional inclusivo e que proporcione maior autonomia e participação do aluno portador de surdez em sala de aula. Além disso, é importante que a mídia divulgue a realidade enfrentada pelos surdos no cotidiano, por meio de campanhas abrangentes e impactantes, com o intuito de incentivar a compreensão e empatia pelo outro. Somente assim, a realidade vista em Espartas será dissolvida.