ENEM 2016 - 2ª Aplicação - Caminhos para combater o racismo no Brasil

Enviada em 09/11/2020

Conceição Evaristo, respeitada poeta contemporânea brasileira, possui uma obra revolucionária. Ao decorrer do seu texto “Tempo de nos aquilombar”, a autora fala sobre a resistência ao racismo, questão de extrema calamidade na conjuntura atual. Dessa forma, é urgente refletir sobre os caminhos para combater tal problema, sendo que essas alternativas estão diretamente relacionadas ao ato político e à educação.

A priori, é de suma importância ressaltar que o sistema político vigente é extremamente racista, visto que, de acordo com o IBGE, 75% das pessoas em extrema pobreza são negras ou pardas. Isso demonstra que há uma relação intrínseca das desigualdades sociais com a questão racial, devida principalmente à uma abolição da escravatura que não foi efetivamente realizada, que acabou por resultar no emprego dos povos afro-brasileiros para a mão de obra barata. Por isso, é nítido que a luta política popular contra o capitalismo é necessária, pois é impossível ser antirracista enquanto defende – se políticas de austeridade, segundo o que aponta o advogado Silvio Almeida em sua entrevista ao programa jornalístico Roda Viva. Além do mais, vale ressaltar que tal manifestação política não se dá apenas por meio da democracia representativa, mas principalmente por movimentos populares. Tal ideia é acordo com a tese que o ex deputado federal Célio de Castro expõe em seu texto, “Política e Psicanálise”: a política é, na realidade, o pensamento coletivo intercalado com ações práticas (práxis). Como qualquer ser humano é capaz de pensar, qualquer ser humano é capaz de fazer política.

Em segunda análise, a preocupação com o processo educacional é indispensável. Ao levar em consideração que o sistema educacional brasileiro segue hegemonicamente o modelo francês clássico, que foi criado com o intuito de atender às vontades do grupo dominante (a elite predominantemente branca), tal método não é verdadeiramente emancipatório. Dessa forma, esse sistema contribuí para o conservadorismo do racismo estrutural, impossibilitando a inserção da população negra como protagonista de sua própria história. Quanto a isso, Paulo Freire aborda em sua principal obra, “Pedagogia do Oprimido”, a necessidade de uma educação realmente libertadora, na qual o indivíduo utilizará o senso crítico pra ocupar seu lugar de protagonismo na historiografia.

Por conseguinte, é possível perceber a importância de refletir sobre os caminhos da luta antirracista engajados com a política e com a educação. Assim, é função da população brasileira expandir a luta antirracista, por meio de manifestações, assembleias e grupos de discussão, exercendo seu direito político participativo. Apenas dessa forma será possível desestruturar o racismo, e garantir uma sociedade mais igualitária.