ENEM 2016 - 2ª Aplicação - Caminhos para combater o racismo no Brasil

Enviada em 19/06/2020

Ao contrário do que muitos pensam, a ideia da existência de uma democracia racial no Brasil está bastante equivocada e, de fato, o que prevalece nesse país é um preconceito assombroso, sustentado ao longo de uma história manchada com o sangue de pessoas negras, que foram escravizadas, abandonadas e até hoje sofrem com o peso do racismo e da desigualdade. De certo, este sofrimento está longe de acabar, entretanto, é nosso dever lutar para elimina-lo, ora na conscientização da sociedade civil, ora através dos poderes governamentais.

Em princípio, para combater o racismo é preciso desmistificar a teoria da democracia racial, proposta inicialmente pelo sociólogo Gilberto Freyre em 1933. Consoante essa proposição, haveria no Brasil um convívio harmonioso entre brancos, negros e indígenas, sem discriminações entre as etnias. Em contraste com essa expectativa, a verdadeira configuração da sociedade é marcada por um abismo social gigantesco entre brancos e pretos, no qual pessoas de pele escura, representando mais da metade da população, não têm as mesmas oportunidades que os outros.Tal questão é fato, basta recordar que após a tardia abolição da escravatura, nunca houve tentativa de inserção dos ex-escravos na sociedade, eles foram jogados à margem e tiveram sua mão-de-obra substituída pela do imigrante branco assalariado. Assim, tudo isso é refletido, até hoje, tanto no desemprego, cujas taxas são superiores em relação aos trabalhadores caucasianos, quanto na falta de representatividade de pessoas negras nos espaços públicos e cargos de prestígio social.

Além dos pontos já discutidos, faz-se importante ressaltar, que em virtude do racismo, de acordo com dados do IBGE, a população negra tem 2,7 vezes mais chances de ser vítima de homicídio do que a branca. Essa informação é extremamente assustadora, principalmente se pararmos para pensar que grande parte dessa violência está atrelada a força policial. Um grande exemplo, foi o caso João Pedro, um adolescente negro que foi morto baleado durante uma operação policial no Rio de Janeiro. Além dele, muitas são as vítimas desse tipo de violência, a qual, também tem vínculo direto com o preconceito.

Em suma, observa-se que a conscientização a respeito do problema é o primeiro passo para o estabelecimento de cidadãos antirracistas, visto que ninguém deve permanecer neutro em um contexto de opressão. Desse modo, o Ministério da Educação  deveria investir na melhor capacitação de professores, de forma que esses comentassem de maneira mais aprofundada e frequente sobre o racismo em sala de aula. Enfim, com o tema sendo pauta cotidianamente nas escolas, formadoras de cidadãos conscientes, quiçá o preconceito seria, aos poucos, eliminado.