ENEM 2016 - 2ª Aplicação - Caminhos para combater o racismo no Brasil
Enviada em 11/06/2020
“O mais escandaloso dos escândalos é que nos habituamos a eles”. Essa afirmação da filósofa existencialista Simone de Beauvoir pode servir de metáfora à persistência do racismo na sociedade brasileira, uma vez que, por mais escandalosa que seja a situação, poucos são os esforços destinados a resolvê-la. Diante disso, indubitavelmente, tal conjuntura advém tanto da desigualdade social vivenciada pelos negros, quanto da negligência governamental.
Vale ressaltar, a princípio, que a desigualdade histórica emerge como influenciadora do problema no Brasil. Consoante ao filósofo Jean Jacques Rousseau, em sua obra “O Contrato Social”, a desigualdade social surgiu com base na noção de propriedade privada e na disputa por poder e riquezas entre os indivíduos. Essa ideia encontra-se materializada no processo de formação histórica no Brasil, o qual foi marcado pela disputa das riquezas entre as regiões e grupos sociais, contribuindo para a instauração de um cenário de iniquidade, no que tange ao preconceito racial. Dessa forma, é indubitável que as disparidades existentes entre as regiões e classes dificultam a ascensão do negro na sociedade.
Ademais, destaca-se o descaso do Estado como agravante desse problema. Sob esse viés, o sociólogo alemão Dahrendorf, no livro “A lei e a ordem”, afirmou que a anomia é a condição social em que as normas reguladoras do comportamento das pessoas perdem sua validade. De maneira análoga a esse pensamento, nota-se que as leis possibilitam que os negros sejam tratados de forma igualitária encontram-se em estado de anomia, pelo fato de serem infringidas, por vezes, sem qualquer punição ao infrator.
Portanto, é mister que o Estado tome providências para amenizar o quadro atual. Para a erradicação da desigualdade social e financeira sofrida por essa raça, urge que MEC favoreça a introdução do negro na universidade através do aumento das cotas raciais e o MPT (Ministério Público do Trabalho) crie leis as quais proíbam e promovam punições aos atos racistas em entrevistas de emprego e mercado de trabalho, assim o afrodescendente estará mais capacitado profissionalmente e terá maior acesso ao mercado de trabalho de forma digna e respeitosa, com a finalidade de tirar as leis antiracistas do seu estado de anomia, é necessário que o Executivo aplique-as de forma adequada e eficiente, sentenciando de forma devida e justa. Somente assim, deixaremos de nos habituar ao escândalo do racismo.