ENEM 2016 - 2ª Aplicação - Caminhos para combater o racismo no Brasil

Enviada em 11/06/2020

Embora trate-se de um evento de grandes dimensões na história brasileira, a abolição da escravidão ocorrida em 1888 não acarretou uma melhora significativa da condição socioeconômica da população negra no país. Após proibir oficialmente a escravidão, o governo brasileiro da época mostrou-se negligente quanto à persistência da discriminação racial e da carência de oportunidades fornecidas aos negros. Evidentemente, tal contexto histórico produziu reflexos na sociedade brasileira contemporânea, na qual a parcela negra da população enfrenta as consequências de um racismo enraizado no país e o governo, por sua vez, apresenta uma insuficiência de medidas com vistas a reverter o cenário discriminatório em que o Brasil se encontra.

Primeiramente, é válido destacar as formas como o racismo se manifesta no Brasil, especialmente no que concerne aos aspectos econômicos. De acordo com uma pesquisa realizada pelo Ipea, o percentual de negros brasileiros assassinados é superior ao de brancos em 132%, e este índice está diretamente relacionado à perigosa associação de peles de tom escuro a situações econômicas desfavoráveis e, por conseguinte, à prática de crimes. Por serem frequentemente discriminados e privados de oportunidades de emprego, cidadãos negros são expostos a maiores dificuldades econômicas, o que fortalece a associação previamente citada, favorecendo, assim, um problemático ciclo de preconceito racial que ameaça as vidas dos negros brasileiros.

Nesse contexto, conforme supramencionado, há uma ausência de ações eficientes de combate ao racismo por parte do governo brasileiro, o qual, em preocupante semelhança com o cenário que se estabeleceu logo após a abolição da escravidão, mostra-se insuficientemente presente nos movimentos de apoio à população negra. Visto a permanência da desigualdade racial no país, é essencial que os órgãos governamentais passem a demonstrar um forte apoio aos movimentos de combate ao racismo, seja por meio de incentivos a campanhas midiáticas, seja por meio de discursos e posicionamentos em favor da busca pela redução dessa desigualdade que marca o cenário brasileiro.

Por fim, é necessário que haja a presença da educação anti-racista nas escolas públicas e privadas, com o objetivo de promover em crianças e adolescentes a absorção do conhecimento de que, em um país tão etnicamente diverso como o Brasil, é paradoxal e inválido manter posturas discriminatórias. A população brasileira deve dedicar-se a seguir tais caminhos, a fim de cercear o preconceito racial que fundamenta as injustiças com as quais os negros sofrem e sofreram ao longo da história do Brasil.