ENEM 2016 - 1ª Aplicação - Caminhos para combater a intolerância religiosa no Brasil

Enviada em 30/07/2022

Brás Cubas, o defunto-autor de Machado de Assis, diz em “Memórias Póstumas” que não teve filhos e não transmitiu a nenhuma criatura o legado da nossa miséria. Talvez hoje, ele percebesse acertada sua decisão: a postura de muitos brasileiros com a diversidade de crenças religiosas, é uma das faces mais perversas de uma sociedade em desenvolvimento. Com isso, surge a problemática do preconceito que persiste, intrinsecamente, ligado à realidade do país, seja pela insuficiência estatal, seja pela ineficiência midiática no tema.

Nessa perspectiva, a ingerência governamental prevê uma educação que limita a instrução social, de modo que não esteja apta para lidar com a variedade de doutrinas ideológicas da contemporaneidade. Assim, encontra forças no ensaio “Pedagogia do Oprimido”, do pedagogo brasileiro Paulo Freire, o qual caracteriza o ambiente escolar como uma ferramenta de opressão que ladeia inúmeras religiões, exprimindo, muitas vezes, desvalorização das mesmas. Deste modo, rememora-se as inflexibilidades religiosas vivenciadas por Brás Cubas.

Além disso, é inegável como a manipulação midiática alicerça a perpetuação do desrespeito doutrinatório, pois, os veículos de comunicação valorizam uma perspectiva lucrativa. Dessa maneira, a análise da conjuntura precária, que cerca as incongruências ideológicas, é silenciada na mídia por não ser um assunto atrativo. Essa reflexão encontra forças na afirmação de Zigmunt Bauman, para quem “Na era da informação, a invisibilidade é equivalente à morte”, já que a pouca visibilidade midiática direcionada para essa problemática leva à permanência do problema observado pelo patrono da educação brasileira .

Infere-se, portanto, uma agrura no cenário nacional. Por conseguinte, o Poder Executivo deve, por meio da utilização das verbas da União, efetuar projetos sociais no ambiente escolar, os quais devem ensinar às diversas parcelas da atual juventude sobre a importância da valorização de todas as religiões. Ademais, o poder midiático carece da oferta de informações coesas sobre o assunto, ou seja, não oferece condições viáveis para uma melhor conscientização da sociedade, a qual pode ser atrevés de conteúdos que ministrem materiais esclarecedores sobre a temática. Logo, será possível a extinção de um legado histórico miserável.