ENEM 2014 - 1ª aplicação - Publicidade infantil em questão no Brasil.
Enviada em 15/09/2022
Segundo o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), é direito dos jovens o acesso à educação e ao lazer, a fim de proporcionar o desenvolvimento pleno. Contudo, no Brasil, a existência de propagandas direcionadas ao público infantil compromete o desenvolvimento previsto do ECA, uma vez que levam à adoção de hábitos de consumo compulsivos e à alienação das crianças. Assim, é necessário discutir os impactos da publicidade infantil na sociedade brasileira, além de propor meios para a atenuação das consequências derivadas da propaganda.
A priori, os anúncios voltados ao público jovem levam à adoção de hábitos consumistas. Dito isso, no filme “Toy Story”, o qual retrata a relação de crianças com seus brinquedos, há propagandas constantes sobre novos jogos e bonecos, o que leva o público infantil do filme a querer os mais novos lançamentos. Tal cenário revela o poder atrativo e persuasivo das pubicidades, que incentivam as crianças a desejarem produtos que não precisam. Logo, essas propagandas estimulam o consumismo exacerbado, como observado na produção fílmica, fato que, a longo prazo, forma indivíduos inconscientes de suas reais necessidades e com hábitos de consumo compulsivos, os quais afetam a qualidade de vida.
Em segunda análise, a questão da publicidade infantil leva à alienação dos jovens. Nesse contexto, na década de 1940, nos EUA, surgiu o política do “American Way of Life”, o qual pregava, por meio de propagandas, um padrão de vida perfeito. Nesse cenário, a exposição de crianças a publicidades irreais, como ocorreu nos EUA, leva à criação de um imaginário irreal e à associação da felicidade à aquisição material. Por conseguinte, há uma distorção dos fatos pelas crianças, o que impede a formação de uma visão crítica, gerando uma alienação que compromete o desenvolvimento pleno.
Em síntese, a publicidade infantil impede o crescimento pleno da criança. Dessa forma, o Estado, órgão responsável pelo manejo de questões sociais, deve, por meio da articulação dos poderes públicos e do diálogo com as empresas publicitárias, estabelecer uma lei que regulamente as propagandas voltadas ao público jovem. Dessa maneira, com o objetivo de veicular valores e conhecimento adequados, cria-se indivíduos com senso crítico e cientes de suas necessidades.