ENEM 2014 - 1ª aplicação - Publicidade infantil em questão no Brasil.

Enviada em 06/11/2020

No poema “Eu Etiqueta” o poeta Carlos Drummond de Andrade descreve o efeito nocivo que a propaganda exerce na vida dos indivíduos. Paralelamente, na contemporaneidade surge a necessidade de se debater e problematizar a publicidade infantil no Brasil. Dessa forma, a falta de conscientização no ambiente familiar atrelada à manipulação midiática são fatores que corroboram para a persistência da mazela, enquanto crianças ficam expostas ao assédio dos meios de comunicação.

Em primeiro lugar, é fulcral supracitar a relevância da família frente a problemática. De acordo com o sociólogo Zygmunt Bauman, uma sociedade que esquece a arte de questionar não pode esperar encontrar soluções para os problemas que a afligem. Sob essa ótica, é possível observar a importância do pensamento crítico dos pais e familiares ao filtrarem o que os jovens indivíduos são coagidos a consumirem, impedindo a formação do que Drummond denominou “um escravo da matéria anunciada”.

Ademais, cabe ressaltar o apelo da mídia como causador do imbróglio. Segundo Karl Marx - um dos arquitetos da sociologia - os meios de comunicação de massa são utilizados pela classe dominante para convencer e moldar os cidadãos. Por conseguinte, torna-se evidente os malefícios dessa persuasão comportamental, afinal, ela abafa as ideias do indivíduo e ele passa a ser visto mais como objeto e menos como um ser pensante, com vontades próprias. Logo, resultando na “mortificação do eu”, um conceito proposto pelo pensador Erving Golfman.

Averigua-se, desse modo, que medidas efetivas precisam ser tomadas para minimizar a questão. O Poder Executivo na figura de Ministério da Justiça, deverá criar leis capazes de punir empresas que façam publicidade infantil apelativa. A Escola com o apoio da família, ficará responsável por alertar os jovens sobre a importância do senso crítico e os perigos da manipulação comportamental, formando alunos com autonomia de pensamentos e capazes de entender as mazelas do corpo social.