ENEM 2014 - 1ª aplicação - Publicidade infantil em questão no Brasil.

Enviada em 20/10/2020

A canção “Admirável chip novo” da cantora Pitty, em seu trecho " pense, fale, compre, beba", faz uma crítica à sociedade capitalista que se estabelece com o fim da Guerra Fria no século XX. Dentre os efeitos dessa nova ordem, têm-se a infeliz cultura do consumismo, que atinge toda sociedade, em especial o público infantil, uma vez que grandes empresas exploram a pouca criticidade dessa parcela da população com propagandas indiscriminadas. Esse infortúnio gera problemas sociais, além de prejuízos ambientais, e persiste intrínseco à realidade brasileira devido tanto aos interesses organizacionais, quanto a passividade do Estado.

De início, é preciso reconhecer que cada vez mais cedo o comportamento do tecido social é moldado pelas pressões econômicas das grandes empresas. Isso está relacionado com a mentalidade individualista dos empresários que visam somente o lucro,  como pode ser visto no marketing que faz apelo com elementos do universo infantil, a fim de persuadir esse segmento. À medida que isso ocorre, as crianças vão sendo ensinadas a consumir precocemente e, como evidenciado pela filósofa Hannah Arendt, a estimulação continua tende a naturalizar tal comportamento. Isso gera prejuízos, especialmente do ponto de vista ecológico, pois o consumismo inconsciente é a base dos problemas ambientais, como o esgotamento dos recursos naturais e o aumento da poluição.

Em seguida, vale ressaltar que a inércia do governo diante desse problema favorece os interesses financistas do mercado e das indústrias. De acordo com o pensador Thomas Hobbes, é dever do estado zelar pelo bem estar da população, mas é evidente que isso não ocorre, visto que no âmbito publicitário não há mecanismos legais, sejam fiscalizatórios, sejam punitivos, para coibir a exploração da pouca maturidade das crianças, uma vez que essas ainda não sabem discernir o que realmente é necessário para elas, especialmente quanto aos bens materiais. Desse modo, conforme Hobbes, cabe ao poder público equilibrar os interesses do capital com o que é melhor para população.

Portanto, considerando os aspectos mencionados, fica explícito a necessidade de medidas para impedir o uso indevido da publicidade infantil por empresários que visam somente o lucro. Para tanto, o Governo pode deliberar a criação de um código de ética no meio publicitário,  por meio de projeto de lei junto ao Congresso Nacional, com o intuito de estabelecer regras e punições para empresas que exploram a falta de discernimento das crianças, no que tange às suas necessidades materiais. Além disso, o Ministério da Educação, recorrendo às escolas, com palestras e eventos,  deve alertar a sociedade sobre às consequências negativas do consumismo supérfluo. Só assim, será possível proteger às crianças dos apelos de um capitalismo insustentável.