ENEM 2014 - 1ª aplicação - Publicidade infantil em questão no Brasil.
Enviada em 28/09/2020
O modelo panóptico de Foucault diz respeito à vigilância constante, que possui um caráter doutrinador e disciplinar, em que se espera uma mudança de comportamento. De maneira análoga, o uso exacerbado de propagandas e algoritmos que inspecionam as vontades do consumidor, funcionam de forma a incentivar a tomada de práticas capitalistas, como se realmente necessitasse de tal produto. Esse artifício, quando utilizado no público infantil, adquire um aspecto mais persuasivo, visto que atinge uma esfera mais propensa às influências e convencimentos. Logo, medidas são necessárias para garantir a integridade desse público, tais como a liberdade e a vistoria dos responsáveis sobre tais práticas.
Em primeiro lugar, é cabível analisar o uso de imagens chamativas ou até mesmo de crianças em propagandas, na qual objetiva-se chamar atenção do público alvo que é a esfera infantil. O órgão CONAR-Conselho Nacional de Autorregulamentação Publicitária- atua de maneira a atenuar e regulamentar as atividades publicitárias, e, já é proibido, ao menos na teoria, a utilização de figuras do infanto-juvenil em campanhas consumistas. Entretanto, em redes como o Youtube e o Instagram, em que se observa a divulgação desenfreada de informações, essa barreira é quebrada, e a manipulação dos usuários é corroborada.
Além disso, a escassez de vistoria dos responsáveis, é outro fator que colabora na piora desse cenário caótico. Dados do site “paisefilhos.uol”, apontam que 80% dos pais não têm ideia do conteúdo acessado pelos filhos na internet. Esse fato comprova os motivos da publicidade infantil ser tão difundida no mundo e utilizada por grandes empresas, mesmo que indiretamente, pois, além do poder de persuasão e influência do grupo-alvo, a falta de cuidados, inspeção, e o desconhecimento dos malefícios dessa prática, são fatores que, ao atuarem concomitantemente, resultam no consumismo exagerado e alienação desses compradores.
Portanto, é inegável a necessidade de controle de tal prática, que pode causar diversos malefícios para o indivíduo que, precocemente, se vê influenciado e alienado por práticas consumistas intensas. Dessa forma, cabe ao CONAR, juntamente com as redes sociais, a atuação conjunta para diminuir as influências difundidas por esses meios. Podem realizar essa iniciativa com a criação de algoritmos que vistoriem as publicações de empresas que atuam no grupo-alvo infantil, de modo a proibir a utilização de crianças e público infantil nas suas campanhas publicitárias, desde vídeos “sutis” até mesmo o emprego direto da imagem. Outrossim, é importante a atuação dos familiares na vistoria dos filhos na internet, para que se possa atenuar essa situação, contrariando o modelo de Foucault.