ENEM 2011 – “Viver em Rede no Século XXI”

Enviada em 19/06/2020

A Teoria da Seleção Natural, de Charles Darwin, relaciona as características de um ser vivo com o habitat dele, de modo que, caso ele não possua certos atributos, o animal pode, frente às forças seletivas do meio, ser extinto. Dessa forma, devido a imersão nas redes sociais ser uma questão de sobrevivência, os limites entre a vida pública e privada tendem a ser tornar, ao longo dos anos, inexistente. Isso porque o indivíduo, ao ser forçado pelo meio a viver em rede, inevitavelmente, interliga setores, como o laboral e social, bem como tem seus dados expostos ao público.

Primeiramente, em anos anteriores, informações pessoais, como endereço de residência e local de trabalho, eram acessadas apenas por seus respectivos donos. Todavia, tais dados são adquiridos de forma fácil ao analisar o perfil de alguém nas redes sociais. Nesse ínterim, vale citar uma pesquisa, da University of Evansville, a qual aponta a possibilidade das empresas aferirem aspectos, como equilíbrio emocional, de seus funcionários por meio de uma análise das postagens deles no meio virtual. Porém, apesar disso, o problema está na facilidade de realizar essa análise, mesmo sem o aval dos empregados, o que pode implicar em uma desnecessária fusão entre a área laboral e social, além de ameaçar a liberdade de expressão dos trabalhadores, garantida pela Constituição de 1988.

Ademais, a falta de privacidade cria paradigmas na sociedade, dentre eles, a ideia de que para existir, é necessário se expor ao público, análogo a frase célebre do filósofo René Descartes, “Penso, logo, existo”. Isso certamente tem relação com os marcadores de localização e a possibilidade de fazer “live” nas redes sociais que, juntos, aparentemente inofensivos, expõem ainda mais a vida das pessoas ao público. Como resultado, a felicidade humana passa a ser projetada no outro, aquele que vai curtir as postagens, compartilhá-las e criará, por sua vez, no internauta, a falsa ilusão de popularidade. Junto a isso, conforme o filósofo Arthur Schopenhauer, o estado de felicidade depende apenas do sujeito, logo, projetá-la no outro é um erro, devido a essa ação gerar frustrações, as quais, consoante o médico Drauzio Varella, podem implicar no aparecimento de doenças como depressão e crise de pânico.

Enfim, vê-se a necessidade de ações que possam reverter o cenário esmiuçado. Posto isto, o Ministério da Educação deve criar uma matéria destinada ao uso adequado da internet, no intuito de gerar um debate sobre o referido assunto e alertar os estudantes acerca das possíveis consequências, caso haja exposição exacerbada no âmbito virtual. Para isso, profissionais da área de saúde serão convocados, a fim de ajudar a ampliar a visão dos alunos sobre esse tema e ajudá-los a combater as efemeridades psicológicas vinculadas a ela. Assim, o homem minimizará as forças seletivas, advindas do meio, e poderá, dessa forma, sobreviver por mais alguns milênios.