ENEM 2011 – “Viver em Rede no Século XXI”

Enviada em 13/06/2020

A Teoria da Seleção Natural, de Charles Darwin, correlaciona as características de um ser vivo com o local, onde ele reside, de modo que, caso ele não possua certos atributos, o animal pode, frente às forças seletivas do meio, ser extinto. Baseando-se nisso, pode-se dizer que, hoje, fazer uso da redes sociais é um ato de sobrevivência e, por isso, tanto a exposição dos indivíduos quanto a interligação de setores, como o laboral e social, são inevitáveis com a internet. Destarte, devido ao crescente avanço tecnológico, os limites da vida pública e privada são colocados em xeque.

Primeiramente, em anos anteriores, informações pessoais, como endereço de residência, local de trabalho, estado civil, eram acessadas apenas por seus respectivos donos. Todavia, esses dados são atualmente adquiridos de forma fácil ao analisar o perfil de alguém nas redes sociais. Nesse ínterim, vale citar uma pesquisa, da University of Evansville, a qual aponta a possibilidade das empresas aferirem aspectos, como receptividade e equilíbrio emocional, de seus funcionários por meio de uma análise das postagens deles nas plataformas digitais. Porém, apesar de tal utilidade, o problema está na facilidade de realizar essa análise, mesmo sem o aval dos empregados, o que pode vir a ameaçar a liberdade de expressão deles, a qual, no Brasil, é garantida pela Constituição de 1988.

Ademais, a falta de privacidade cria um novo paradigma na sociedade, a ideia de que se expor ao público é sinal de existência, análogo a frase célebre do filósofo René Descartes, “Penso, logo, existo”. Isso certamente tem relação com os marcadores de localização e a possibilidade de fazer “Live” nas redes sociais que, juntos, aparentemente inofensivos, expõem ainda mais a vida das pessoas ao público. Com efeito, a felicidade humana passa a ser projetada no outro, aquele que vai curtir as postagens, compartilhá-las e criará, por sua vez, no internauta, a falsa ilusão de popularidade. Junto a isso, conforme o filósofo Arthur Schopenhauer, o estado de felicidade depende apenas do sujeito, logo, projetá-la no outro é um erro, devido a tal atitude gerar frustrações diárias, as quais, de acordo com médico Drauzio Varella, colaboram para o aparecimento de doenças como depressão e crise de pânico.

Enfim, vê-se a necessidade de ações que possam reverter o cenário esmiuçado. Posto isto, o Ministério da Educação, deve criar uma matéria destinada ao uso adequado da Internet, a fim de gerar um debate estudantil sobre o referido assunto e alertar os estudantes acerca das possíveis consequências caso haja exposição exacerbada no âmbito virtual. Para isso, profissionais da área de saúde serão convocados, no intuito de ajudar a ampliar a visão dos alunos sobre este tema e ajudá-los a combater as efemeridades psicológicas vinculadas a ela. Como resultado, o homem minimizará as forças seletivas, advindas do meio, e poderá, assim, sobreviver por mais alguns milênios.