ENEM 2011 – “Viver em Rede no Século XXI”
Enviada em 05/06/2020
A Teoria de Seleção Natural, de Charles Darwin, correlaciona as características de um ser vivo com o local, onde ele reside, de modo que, caso ele não possua certos atributos, o animal pode, frente às forças seletivas do meio, ser extinto. Baseando-se nisso, é possível dizer que, hoje, fazer uso das redes sociais é um ato de sobrevivência e a opção de não imergir nesse espaço virtual passa a ser sinônimo de anormalidade. Ademais, os limites, da vida pública e privada, estão se tornando, aos poucos, inexistentes fato, esse, que coloca a sobrevivência do homem em xeque.
A priori, em anos anteriores, informações pessoais, como endereço de residência, local de trabalho, estado civil, eram acessadas apenas por seus, respectivos, donos. Todavia, esses dados são, atualmente, adquiridos, de forma fácil, ao analisar o perfil de alguém nas redes sociais. Nesse ínterim, vale citar uma pesquisa, feita pela University of Evansville, a qual aponta a possibilidade das empresas aferirem aspectos, como receptividade e equilíbrio emocional, de seus funcionários por meio de uma análise das postagens deles nas redes sociais. Porém, apesar de tal utilidade, o problema está na facilidade de realizar essa análise, mesmo sem a autorização dos empregados, o que pode vir a ameaçar a liberdade de expressão deles, a qual, no Brasil, é garantida constitucionalmente.
A posteriori, a falta de privacidade cria um novo paradigma na sociedade, a ideia de que se expor ao público é sinal de existência, análogo a frase célebre do filósofo René Descartes, “Penso, logo, existo”. Isso certamente tem correlação como os marcadores de localização e a possibilidade de fazer “Live” nas redes sociais, que, juntos, aparentemente inofensivos, expõem, ainda mais, a vida das pessoas ao público. Nesse contexto, a felicidade humana passa a ser projetada no outro, aquele que vai curtir as fotos, compartilhá-las e criará, por sua vez, no internauta, a falsa ilusão de popularidade. Junto a isso, conforme o filósofo Arthur Schopenhauer, o estado de felicidade depende,exclusivamente, do sujeito e, por isso, projetá-la no outro é um erro, em razão dessa atitude gerar frustrações diárias e viabilizem o aparecimento de doenças como depressão, crise do pânico e ansiedade.
Enfim, vê-se a necessidade de ações que possam reverte o problema presente no âmbito virtual. Posto isto, o Ministério da Educação deve criar uma matéria destinada à internet, a fim de criar um debate estudantil sobre o referido assunto e alertar os estudantes acerca das possíveis consequências caso haja uma exposição exacerbada nestes mecanismos tecnológicos. Para isso, profissionais da área de saúde serão convocados, no intuito de ajudar a ampliar a visão dos alunos sobre este tema e ajudá-los a combater as efemeridades psicológicas vinculadas a ela. Com efeito, o homem minimizará as forças seletivas, advindas do meio, e poderá, assim, sobreviver por mais alguns milênios.