ENEM 2006 - O poder de transformação da leitura

Enviada em 16/01/2021

Segundo o filósofo Immanuel Kant, “o homem é tudo aquilo que a educação faz dele”. Nessa perspectiva, a leitura tem papel fundamental na formação de indivíduos e é capaz de transformar o pensamento humano. Entretanto, os défices educacionais do Brasil não permitem que a sociedade usufrua dos benefícios de ler, uma vez que o Estado não cumpre as demandas educacionais, o que acarreta em diversos malefícos para as pessoas mais desafortunadas.

Em primeiro lugar, para construir um país onde a sociedade possa exercer sua cidadania é preciso que as autoridades responsáveis respeitem, acima de tudo, as leis básicas. Com isso, na Constituição Federal de 1988, o acesso à educação é um direito de todos. Porém, os dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística apontam que existem 11 milhões de analfabetos no Brasil. Logo, considerando esses dados, é evidente que há um descaso no cumprimento das políticas educacionais, o que reflete na incapacidade de muitas pessoas lerem e buscarem conhecimento. Desse modo, ao ficar em segundo plano para o governo, a leitura ocupa o mesmo espaço no lugar da vida dos cidadãos que não tiveram acesso efetivo a ela, e por isso sofrem com os diversos fatores negativos que a ausência de instrução tráz.

Em segundo plano, a irresponsabilidade do Estado perante as necessidades educacionais causa efeitos nocivos na vida de cada indivíduo. Para exemplificar, na série “Anne with an E”, a protagonista aprecia a leitura e a descoberta de novos universos através dela, porém, o ajudante da casa onde ela mora, um garoto da mesma idade que ela, pobre, e que trabalha por necessidade, não é alfabetizado, e pela suas condições não sente interesse em aprender. Nesse aspecto, pode-se afirmar que quando não existem incentivos ou meios para a alfabetização, o hábito de leitura perde seu valor a cada geração, e os costumes intelectuais se restringem à elite e, consequentemente, a sociedade torna-se mais desigual.

Portanto, é inegável o poder transformador da leitura, mas esta jamais poderá mudar algo se faltar respeito aos direitos do cidadão. Posto isso, cabe ao Ministério da Educação juntamente com o Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação investir em bibliotecas nas regiões remotas do país, como no sertão, no interior e nas periferias, onde além de ter acesso livre a livros gratuitos e diversos, o indivíduo também poderá frequentar aulas de Língua Portuguesa e literatura, independente da idade. Por conseguinte, haverá incentivo à leitura, para que nenhuma situação adversa separe as pessoas de aprender. Sendo assim, os livros poderão mudar o Brasil.