ENEM 2006 - O poder de transformação da leitura
Enviada em 29/09/2020
A Declaração Universal dos Direitos Humanos, de 1948, defende os direitos individuais e coletivos dos homens como universais, incluindo a manutenção do acesso à educação dos povos. No entanto, no cenário brasileiro atual, observa-se justamente o contrário quanto a questão do acesso à leitura, que tem um grande poder na transformação da vida do indivíduo. Nesse contexto, percebe-se um grave problema de contornos específicos, que pode ser justificado pela falta de investimentos e pela insuficiência governamental. Assim, hão de ser analisados tais fatores, a fim de que se possa liquidá-los de maneira eficaz.
Em primeiro lugar, a falta de investimentos do governo brasileiro na educação é um problema persistente. Sabe-se que muitos locais mais afastados dos centros urbanos, carecem de escolas e as crianças e jovens têm que se deslocar em longas distâncias até o estabelecimento mais próximo para serem alfabetizadas. Além disso, a estrutura física desses locais não contempla às necessidades dos estudantes, que muitas vezes não possuem os requisitos básicos como carteiras, materiais escolares e sequer um quadro negro. Associado a esse fato, tem-se a máxima do educador Paulo Freire, ao ressaltar que: “Se a educação sozinha não transforma a sociedade, sem ela a tampouco a sociedade muda”, cabe perfeitamente. Desse modo, tem-se como consequência a desestruturação do ensino em ambientes remotos, levando a deficits no ensino e na prática da leitura.
Além disso, percebe-se a insuficiência governamental como causadora do problema. Na obra de Zygmunt Bauman, “Modernidade Líquida” ele defende que a pós modernidade é altamente influenciada pelo individualismo. Em virtude disso, há como consequência a falta de empatia, pois para se colocar no lugar do outro é preciso deixar de olhar apenas para si. Essa liquidez que influi na questão da leitura funciona como um empecilho para a sua resolução, já que o governo deixa de construir mais escolas, aumentar o acesso da população à alfabetização e consequentemente a leitura, que permite ao indivíduo, conhecer o mundo, viajar para lugares desconhecidos, descobrir novas culturas, ser independente para circular sozinho e ter seu direito de cidadão assegurado.
Logo, medidas devem ser tomadas para que se aumente o acesso à leitura no país. Para isso, o governo deve criar escolas nos municípios mais afastados dos centros urbanos e em comunidades rurais, para que a população não necessite de deslocar longas distâncias para poder assistir às aulas. Além do mais, poderá incentivar rodas de leitura nessas escolas, incluindo os alunos e seus pais, que muitas vezes não puderam frequentar uma escola, a fim de levar um pouco de independência a essa população. Consequentemente, com todos acessando a leitura, poderão ter suas vidas transformadas.