ENEM 2005 - O trabalho infantil na realidade brasileira
Enviada em 31/12/2020
A obra cinematográfica “Freistatt” relata a história de Wolfgang, um jovem rebelde enviado por seu padastro à um instituto reformatório no intuito de reeducar o garoto. No entanto, após chegar ao local Wolfgang é exposto a situações de abusos, maus-tratos e trabalho forçado. Concomitante a isso, no Brasil, torna-se crescente a preocupação com o trabalho infantil. Nessa perspectiva, tal desafio deve ser analisado e superado de imediato para que uma sociedade integrada seja alcançada.
É relevante abordar, primeiramente, de acordo com o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) os direitos que asseguram o bem-estar e a qualidade de vida dos jovens, dentre eles, o acesso a saúde, a educação, ao convívio familiar e a proteção contra cenários trabalhistas exploradores. Contudo, a realidade mostra-se justamente o oposto e o resultado desse contraste é refletido no atual ceário brasileiro. Segundo dados divulgados pelo Instituto Brasileira de Geografia e Estatística (IBGE) cerca de 2,4 milhões de crianças e adolescentes ainda se encontram em situação de trabalho infantil.
Faz-se mister, ainda, salientar os fatores etiológicos e impulsionadores do problema. Segundo o sociólogo Zigmunt Bauman, autor de “Modernidade Líquida”, a falta de solidez e o individualismo intrísecos nas relações humanas, bem como a transferência do ideal de melhoria coletiva para a de ascensão própria intensificam a depreciação do valor humano, fenômeno fortificado pela ausência de discussões do assunto no âmbito escolar e pela carência representativa da classe infantojuvenil no meio governamental e que corroboram com legitimização do trabalho infantil no país.
Infere-se, portanto, que há entraves para garantir a solidificação de políticas que visem a construção de uma sociedade integrada. Dessa maneira, urge que o Ministério da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos, em conjunto com o setor midiático, promova campanhas e programas que instruam e conscientizem a população quanto a existência e consequências do trabalho infantil. Ademais, cabe ao Estado o redirecionamento de verbas adequadas para a reforma e potencialização de centros e organizações que fiscalizam e abatam a condição de tal emblema. Dessa forma, o Brasil poderá afirmas os direitos dos jovens e crianças que representam o futuro da nação.