ENEM 2005 - O trabalho infantil na realidade brasileira
Enviada em 31/12/2020
Durante a Primeira Revolução Industrial, era comum ter crianças no ambiente de trabalho, pois elas, por terem um menor porte físico, conseguem limpar as partes mais estreitas das máquinas, o que, por consequência, deixavam-as sucetíveis à acidentes, como mutilações e perda de membros do corpo. Diante disso, percebe-se que esse cenário industrial se reverbera até a atual conjuntura social. Sob essa ótica, é importante analisar o principal fator que perpetua essa realidade, como as desigualdades sociais, e seus efeitos em relação aos menores de idade.
Diante desse contexto, a má distribuição de renda no Brasil é um motivo que faz com que famílias, de baixa renda, obriguem crianças a trabalharem. À vista disso, segundo o Programa das Nações Unidas (PNUD), o Brasil é o sétimo país mais desigual do mundo, abaixo apenas de países africanos. Diante desse dado alarmante, é evidente que milhares de famílias brasileiras necessitam da mão de obra infantil como complemento da renda famíliar, visto que há uma postura praticamente estática dos agentes governamentais, no que tange o desenvolvimento de políticas públicas que visam a inversão desse quadro caótico. Dessa forma, é relevante que o Estado atue na resolução desse contratempo, visto que o Estatuto da Criança e do Adolescente, Além da Magna Carta brasileira, garante uma vida digna para os jovens, os quais devem desfrutar de direitos como à educação e o lazer.
Outrossim, é relevante destacar os resultados do trabalho infantil na vida de um indivíduo. Sob essa perspectiva, na obra Memórias Póstumas de Brás Cubas, escrito por Machado de Assis, o autor defunto sente-se feliz por não ter deixado um filho neste mundo, pois não queria transmitir o legado da miséria humana para seu descendente. Sob essa perspectiva, uma herança da humanidade que contribui com o ideário de Brá Cubas são as consequências das atividades laborais realizadas por crianças em locais insalubres, os quais colocam em risco a integridade física e psicológica dos adolescentes, o quais abadonam as escolas e deixam de se desenvolverer intelectualmente, o que impede, dessa maneira, a obtenção de empregos de alta qualificação na vida adulta.
Portanto, medidas devem ser feitas com o objetivo de mitigar as assimetrias sociais. Para isso, é fulcral que o Ministério da Educação adicione mais verbas nas escolas públicas com o objetivo de torná-las mais atrativas para os jovens. Isso pode ser realizado, por meio de um planejamento econômico, o qual proporcione quadras poliesportivas, professores qualificados e uma boa infraestrutura, para que, por intermédio da educação, tais crianças possam, no futuro, exercerem trabalhos dignos. Desse modo, as crianças poderão ter uma maior interação social e aprendizado nas escolas, o que supera, então, a lógica da Primeira Revolução Industrial.